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Revista Eletrônica sobre Acesso a Dados · eISSN 2763-7875

Ascensão das infecções confirmadas do Covid-19 no cenário pós-vacinação no Brasil

Publicado em v. 4, n. 1 (2023)

Autores

  • Gabriel Jorge Cavalheiro José UNESP
  • Lívia Valentim Sanches UNESP
  • Sofia Curuci Pegoraro UNESP

Resumo

Foram apresentados dados da Secretaria do Estado de Saúde (SES) do Mato grosso do Sul, que no ano de 2022 há uma presente ascensão dos casos de infecção do coronavírus relacionada a aglomeração realizada nas comemorações de final de ano, uso indevido ou insuficiente da máscara, e pela falta de vacinação por opção dos ativos, este dados foram publicados por Lima (2022) e correlacionados com os dados de Our World in Data (2022) para possibilitar a contextualização do aumento de casos no início do ano em questão.

Texto completo

1 Introdução

No presente artigo estão apresentados dados confiáveis sobre a situação de casos confirmados do coronavírus, no intervalo entre 2020 a 2022 desde o decreto da quarentena e da pandemia. A fonte utilizada para a coleta de tais informações é um site especializado na exposição de pesquisas feitas empiricamente, tanto quanto de dados analíticos, que sejam relacionados às mudanças na qualidade de vida em perspectiva global, o Our World in Data (2022). Os dados trazem a representação gráfica que identifica variações significativas a cada semestre, e que os dados mais recentes estão em escalas muito altas ao serem comparados com os anteriores. Estão presentes neste documento as teorias da causa do aumento de casos e os gráficos semestrais. O fato, já divulgado ao público, é que as internações em sua totalidade assim como a maioria das infecções até então confirmadas nas unidades de emergência do país, são de pessoas por opção não vacinadas, isso trouxe grande atenção para esta problemática nas pesquisas, demonstrando a tamanha necessidade de conscientização da população nesse momento. Conscientizando, inclusive, sobre o funcionamento e composição das vacinas para que estas não sejam negadas pelo povo, sendo este o fator chefe do aumento de casos após o principal período de vacinação já ter ocorrido, e entender tal fenômeno é justamente a questão chave da presente pesquisa (LIMA, 2022).

1.1 Questão-chave

Visto o atual cenário pandêmico que se estende desde o ano de 2020, os dados então apresentados pelo site Our World in Data no ano de 2022 expõem um aumento na situação das infecções confirmadas do vírus da Covid-19, com o uso de gráficos que trazem uma representação clara da situação. O aumento de casos confirmados a primeiro momento foi causa de estranhamento pela população devido a já ter ocorrido o período intenso de vacinação em todo o território nacional, imunizando a maioria do povo brasileiro. A partir de tamanho estranhamento dos dados coletados iniciou-se uma análise do que poderia ter ocorrido para que a curva de casos confirmados fosse no sentido contrário do esperado após a vacinação, cientistas então teorizaram que um fator de alto peso para este evento ocorrer foi a reunião de famílias e amigos nas festas de final de ano em 2021, e da realização de festas com alto número de participantes dentro deste mesmo intervalo temporal (LIMA, 2022). Outro fator trazido para a atenção do público pelos pesquisadores foi que apesar das aglomerações ocasionadas pelas festividades, o fator de maior peso e relação com o número de infectados confirmados nas emergências do país, foi que os internados e a grande maioria dos infectados pela doença viral foram pessoas que optaram por não serem imunizadas por qualquer uma das vacinas, não possuindo anticorpos para se defenderem dos vírus. O Distrito Federal pode ser usado como exemplo desta contextualização pois a cobertura populacional na vacinação foi consideravelmente baixa, consequentemente refletindo no atual aumento do número de casos de acordo com Schwingel, Mansur e Lessa (2022). No caso do Distrito Federal 90% das internações computadas foram de pessoas não vacinadas, o que preocupa os médicos considerando que a transmissibilidade da variante ômicron exige uma imunização completa na população, e o esperado é que com a falta de vacinas, de planejamento do governo e de campanhas vacinais em proporção nacional, o problema continuará permitindo o aumento de infectados pelo vírus. Compilando todos os dados das fontes então apresentadas é possível compreender quais fatores sustentam os dados que apontam este aumento no número de infecções após o período principal de vacinação já concluído, e o entendimento deste aumento quando esperava-se a diminuição dos casos é justamente o objetivo do presente trabalho; sendo guiado pela questão chave: o número de pessoas não vacinadas é um fator de peso no aumento de casos confirmados?

1.2 Metodologia

A partir da pesquisa descritiva desenvolvida, pretende-se apresentar a relação das variáveis no cenário de contaminação crescente de Covid-19 pós-vacinação no Brasil, com base nos dados coletados no site Our World in Data, que reúne informações provenientes pelos governos, determinando uma média móvel nos últimos sete dias, com foco na interpretação dos dados para construção da análise do aumento de casos em 2022. Para estudar essa relação dos dados com a questão chave, foi observada a necessidade de coletar informações relacionadas ao contexto para evidenciar a hipótese apresentada. Com a formulação do problema e o levantamento desses dados estruturados, determinou-se o objeto de estudo, onde foi analisada a estrutura dos dados a partir da tríade (entidade, atributos e valores) e esta então utilizada para a construção dos gráficos para análise de regressão. As informações do Our World in Data utilizadas para esse estudo foram retiradas do gráfico "Brazil: What is the daily number of confirmed cases?" (2022) que apresenta a média móvel dos casos, considerando que trata-se de um número mais baixo do que o real, pela limitação de testes. Foram coletadas as médias registradas de casos desde o início da pandemia e então utilizadas para a estruturação dos gráficos abaixo em que analisamos o coeficiente de relação das confirmações de casos. Para analisar essa probabilidade de repetições de números ou ainda uma regularidade estatística, a construção dessa análise é desenvolvida com os dados de 2020 a 2022, dividida em semestres, que são utilizados para estabelecer a regressão linear, para delimitar se há estabilidade quanto ao número de casos ao longo do tempo, a fim de demonstrar uma relação com o contexto determinante dessa ascensão de contaminação pela Covid-19.

2 Desenvolvimento

2.1 Coleta

Os dados utilizados para esse estudo, provenientes do site Our World in Data (2022), são coletados a partir de relatórios de testes médicos - ou laboratoriais -, que diagnosticam um caso de COVID-19 com base em testes - ou combinação de sintomas e probabilidade epidemiológica -, registrados para a secretaria de saúde local, no qual o ministério - ou outra organização governamental - reúne esses dados e publica os números mais recentes.

2.2 Análise

A priori, deve-se saber que, com os dados retirados dos arquivos, em CSV, dispostos do site, foi possível construir cinco (5) gráficos, que mostram o avanço do número de infecções causadas pelo Sars-cov-2. Além disso, faz-se necessário ter em mente os eixos dos gráficos X (eixo horizontal) e Y (eixo vertical), pois representam o número de semanas e o número de casos, respectivamente. Ademais, no gráfico titulado como “Janeiro/Fevereiro de 2022” estão presentes os casos registrados desde o dia primeiro (01) de janeiro até o dia vinte e um (21) de fevereiro. Após uma breve análise gráfica, observar-se-ia que a reta de regressão não possui uma constância, ou seja, ela é diferente para cada um dos gráficos - relacionada com a variação do número de casos de cada semestre -, mostrando, também, uma alta variação no coeficiente de regressão e na dissipação dos casos. Interpretando-se cada gráfico de forma mais detalhada, é possível observar que:
1. No primeiro gráfico, referente ao primeiro semestre pandêmico, há o surgimento e um crescimento no número de casos, observando uma menor dispersão de dados, criando um coeficiente de correlação alto (R²=0,7678) e uma reta de regressão com sentido ascendente, com um ângulo de inclinação (theta) alto.
2. À medida que o tempo foi passando, a reta de regressão se estabilizou, mantendo uma certa linearidade e fazendo com que seu ângulo (theta) diminuísse em relação ao ângulo do primeiro gráfico, apresentando uma alta dispersão de dados que, por sua vez, apresenta um baixo coeficiente de correlação (R²=2.106).
3. No primeiro semestre de 2021, observa-se um aumento no número de infecções registradas, em sua grande maioria passando de sessenta mil (60,000), com uma ascensão notável na reta de regressão, possuindo um ângulo baixo - porém maior que o último -, e um aumento no coeficiente de correlação (R²=0,0493).
4. No último semestre de 2021, nota-se uma redução nos casos registrados da COVID-19, ou seja, a reta de regressão passou a ter um sentido decrescente - com um ângulo de inclinação sendo o segundo mais alto, entretanto com uma dispersão de dados mediana, elevando o valor do coeficiente de correlação (R²=0,4419) ainda mais.
5. Por último, o quinto (5°) gráfico demonstra um aumento no número de infecções, tendo seu ápice próximo dos 300 mil (trezentos mil) casos. Ao mesmo tempo, há uma variação redundante nos dados, estando tão dispersos quanto os dados do Segundo Semestre de 2021; logo, o coeficiente de correlação desse gráfico passa a diminuir também (R²=0,0878).
À vista disso, deve-se entender a importância de armazenar e utilizar os dados obtidos até o atual momento para se preparar contra outras possíveis ondas da COVID-19 ou contra o surgimento de uma nova doença com o mesmo (ou maior) potencial de contaminação, assim como a Coréia do Sul fez com a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS) (ARAÚJO, 2020).

3 Desdobramentos

As campanhas de vacinação anuais, que deveriam ser planejadas e bancadas pelo governo, devem ressaltar e informar a população que é necessário se imunizar e se proteger contra outras doenças, além da Covid-19, para que estas não sejam esquecidas e venham a refletir no futuro um atraso no cenário de saúde pública. Além disso, o governo poderia providenciar um aumento da cobertura feita pelos postos de atendimento locais, fornecendo mais funcionários e recursos, cuidando da saúde da população brasileira de maneira mais eficiente; ao mesmo tempo, aumentando os recursos de atendimento disponibilizados aos ambulatórios locais (AME - Ambulatório Médico de Especialidades), para que estes tenham condições de melhora no atender da população, diminuindo consideravelmente as filas de espera. A faixa de preço para a realização dos principais exames, assim como dos referentes a estados de média e alta gravidade, deveria ser popularizada, tornando mais acessível à população, evitando, assim, o desenrolar de uma nova pandemia ou epidemia, decorrente à identificação precoce da doença, e melhorando a vida do povo brasileiro com este recebendo diagnósticos a tempo de receber tratamento, do mesmo jeito que é descrito no ABC do SUS.

Figuras

  • Ascensão das infecções confirmadas do Covid-19 no cenário pós-vacinação no Brasil

  • Ascensão das infecções confirmadas do Covid-19 no cenário pós-vacinação no Brasil

  • Ascensão das infecções confirmadas do Covid-19 no cenário pós-vacinação no Brasil

  • Ascensão das infecções confirmadas do Covid-19 no cenário pós-vacinação no Brasil

  • Ascensão das infecções confirmadas do Covid-19 no cenário pós-vacinação no Brasil

Referências

ARAÚJO, Lucas. O que podemos aprender com as estratégias da Coreia do Sul de combate à pandemia? 2020. Blog do IDEIES. Disponível em: http://www.blogdoideies.org.br/o-que-podemos-aprender-com-as-estrategias-da-coreia-do-sul-de-combate-a-pandemia/. Acesso em: 26 jan. 2022.

BIERNATH, André. Covid: 3 certezas e 3 dúvidas sobre o futuro das vacinas, segundo cientista brasileira de Oxford. BBC News Brasil. São Paulo. 23 dez. 2021. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-59735675. Acesso em: 26 jan. 2022.

LIMA, Rodson Carmo de. Aumento de casos confirmados de Coronavírus preocupa e SES faz alerta para população cumprir medidas de biossegurança. 2022. Secretaria de Estado de Saúde (SES). Disponível em: https://www.saude.ms.gov.br/aumento-de-casos-confirmados-de-coronavirus-preocupa-e-ses-faz-alerta-para-populacao-cumprir-medidas-de-biosseguranca/. Acesso em: 25 jan. 2022.

OUR WORLD IN DATA. Brazil: coronavirus pandemic country profile. Coronavirus Pandemic Country Profile. 2022. Disponível em: https://ourworldindata.org/coronavirus/country/brazil. Acesso em: 25 jan. 2022.

SCHWINGEL, Samara; MANSUR, Ana Isabel; LESSA, Bruna. Não vacinados representam 90% dos pacientes internados em UTI´s no DF. Correio Braziliense. Brasília. 26 jan. 2022. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2022/01/4980173-nao-vacinados-representam-90-dos-pacientes-internados-em-uti-s-no-df.html. Acesso em: 26 jan. 2022.