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Revista Eletrônica sobre Acesso a Dados · eISSN 2763-7875

A importância da biotecnologia na cadeia agroindustrial do algodão

Publicado em v. 4, n. 1 (2023)

Autores

  • Bruno Francisco de Oliveira UNESP
  • Gabriela Bispo Machado UNESP
  • Hanally Saori Nakamura UNESP
  • Laieni Aparecida Lino da Silva UNESP
  • Lucas Alexandre de Souza UNESP
  • Naieli Fernanda de Lima de Carvalho UNESP
  • Yasmim Mendes de Jesus UNESP

Resumo

A produção comercial do algodão no Brasil começou nos estados da região nordeste e o primeiro grande produtor foi o Maranhão. Atualmente, a cultura do algodoeiro tornou-se uma das principais commodities brasileiras. Existem diversos processos que estão envolvidos na cadeia agroindustrial do algodão, como, por exemplo, o caroço virar ração para o gado ou ser esmagado para produzir farelo e óleo e, das fibras, serem obtidos, através da indústria têxtil, os fios e filamentos, direcionados às indústrias de tecelagem, de malharia e de aviamentos. Dessa forma, essa pesquisa teve como objetivo contextualizar a cadeia produtiva do algodão (descrevendo e caracterizando seus elos), estudando seu histórico, importância econômica, tendências e barreiras. O método de pesquisa que foi utilizado foi o qualitativo, por meio de uma busca documental e bibliográfica, na qual baseou-se em uma pesquisa e análise de dados reais coletados. Através das análises realizadas, chegamos à compreensão da dinâmica da cadeia produtiva do algodão, ultrapassando a sua estrutura, tendências de produção e mercado, procuramos assim, uma maneira de contribuir efetivamente para o apontamento de possíveis sugestões de melhorias para o ramo supracitado.

Palavras-chave

Cadeia produtivaAlgodãoBrasil

Texto completo

1 Introdução

A cadeia produtiva do algodão destaca-se como um dos maiores casos de sucesso do agronegócio brasileiro nos últimos anos, contribuindo fortemente para o desenvolvimento do centro-oeste e do nordeste do país, pois movimentou nas cidades as atividades comerciais e de construção civil (NEVES, 2016). O Brasil possui fatores que podem contribuir com um melhoramento de qualidade do produto, tais como tecnologia, terra e métodos de controle de praga, além de, por meio da biotecnologia, desenvolver outras variedades que possam ser mais produtivas. (SEVERINO et al., 2019). De acordo com a ABRAPA (2017), a biotecnologia auxilia na obtenção de fibras de melhor qualidade, maior produtividade e resistência a pragas; com a engenharia genética, é possível melhorar as características desejadas, melhorando a produtividade e reduzindo custos. Existem também, sensores para monitorar o solo, colheitadeiras modernas e diversos métodos para a aplicação de inseticidas. Conforme aponta Buainain e Batalha (2007), o cultivo do algodão no Brasil favorece o surgimento de pragas, como é o caso do Bicudo (Antonomus, grandis, um colleppterae), e devido a isso surge a necessidade do controle dos mesmos, empregando também o uso de biotecnologia. Além disso, as tecnologias empregadas na cadeia produtiva do algodão do cultivo à colheita, faz com que as estruturas do mercado venham a sofrer uma alteração nas estruturas de mercado, redefinindo padrões de concorrência e maior eficiência das empresas no mercado (SCHULTZ; WAQUIL, 2011). Diante desse contexto, o presente trabalho teve por objetivo geral apresentar dados sobre a cadeia produtiva do algodão, caracterizando seu histórico, importância e tendências.

1.1 Questão-chave

Como a biotecnologia pode beneficiar a cadeia produtiva do algodão?

1.2 Metodologia

Foi feito um levantamento de dados acerca da produção de algodão no Brasil através das instituições e órgãos responsáveis pela documentação da produção agrícola no país, como a CONAB e a ABRAPA.

2 Desenvolvimento

2.1 Coleta

Os dados da produção do algodão em caroço foram produzidos pela CONAB e disponibilizados pela ABRAPA (2022), informando a produtividade do algodão caroço em quilograma por hectare (kg/ha). Os dados são referentes aos anos de 2010 a 2022, sendo retirados os dados de todas as regiões do Brasil e de todos os Estados.

2.2 Análise

Os dados demonstrama como a produtividade do algodão em caroço se comportou ao longo de dez anos. É possível notar uma baixa produtividade do algodão em caroço na safra de 2015/2016, porém, seguida de um crescimento marcante na produção do algodão em caroço em kg/ha, atingindo um alto pico na safra 2019/2020 e apesar de ser seguida por uma queda na produção na próxima safra, apresentou um aumento novamente na safra 2021/2022, atingindo 6914,8 Kg/Ha. A produtividade média alta atingida pela cotonicultura brasileira permite que o Brasil alcance níveis históricos de produção, ainda que com uma área plantada menor de décadas atrás. A cadeia de produção do algodão possui o foco na comercialização, ao contrário de várias cadeias produtivas agrícolas que destinam-se à subsistência dos próprios agricultores. Para que possa avançar e manter-se resiliente diante dos desafios de mercado e climáticos, gerando a lucratividade por meio de custos controlados e alta produtividade e qualidade, a produção agrícola de algodão deverá utilizar tecnologias de insumos, manejo, gestão, governança e transparência ainda mais avançados. Métodos cada vez mais baseados em ciência e tecnologia devem tomar conta do campo e do ambiente institucional para que possam ser aproveitados de forma ainda mais eficiente os recursos limitados que estão disponíveis.

3 Desdobramentos

Tratando-se de oportunidades o país detém terra e tecnologia necessária para suprir a demanda de algodão, além de ferramentas de controle de pragas e doenças, por exemplo o uso de controle químico (pesticidas e fungicidas), criação de variedades mais produtivas pelo emprego da biotecnologia, competentes sistemas de produção e coordenação da cadeia, fatores que auxiliam para obter um produto final de qualidade (SEVERINO et al., 2019). Desse modo, é incontestável o papel da biotecnologia para geração de fibras de qualidade e aumento da produtividade do algodão, já que utiliza variedades transgênicas com maior eficácia para os estresses ambientais, pragas e doenças, tornando-se possível a redução do uso de insumos e custo de produção. Ademais, as inovações tecnológicas vêm sendo amplamente difundidas, como o gerenciamento da agricultura de precisão, aplicação de diversos sistemas de plantio e aplicação de inseticidas (ABRAPA, 2017).

Figuras

  • A importância da biotecnologia na cadeia agroindustrial do algodão

Referências

ABRAPA (2017). A cadeia do algodão brasileiro: Safra 2016/2017, desafios e estratégias. Brasília: ABRAPA, 2017, 248p.

BUAINAIN, A.M; BATALHA, M.O. (Coord.) Cadeia produtiva do algodão. v.4. Brasília: IICA: MAPA/SPA, 2007.

NEVES, M. F. Vai agronegócio! 25 anos cumprindo missão vitoriosa. Editora Canaoeste, 538 páginas. Primeira Edição, 2016.

SEVERINO, L. et al. (2019). Produto: ALGODÃO - Parte 01: Caracterização e Desafios Tecnológicos. Embrapa, 29. Disponível em: https://www.abrapa.com.br/BibliotecaInstitucional/Publica%C3%A7%C3%B5es/Livros/Livro%20A%20Cadeia%20do%20Algodao%20-%20Abrapa.pdf. Acesso em: 30 nov. 2022.

SCHULTZ, G.; WAQUIL, P. D. Políticas Públicas e Privadas e Competitividade das Cadeias Produtivas Agroindustriais. 1. ed. Porto Alegre: UFRGS, 2011. 80 p."