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Revista Eletrônica sobre Acesso a Dados · eISSN 2763-7875

VENDAS NO COMÉRCIO VAREJISTA BRASILEIRO FOCANDO A REGIÃO NORTE DESAFIOS E PERSPECTIVAS

Publicado em v. 5, n. 2 (2024)

Autores

  • Davi Naldino da Silva Trindade UFPA
  • Marcos Guilherme da Silva UFPA

Resumo

Nos últimos anos o comércio varejista brasileiro recebeu diversos choques através de variados planos econômicos na busca de uma economia estável, isto resultando na situação de fragilidade. Visando destacar a situação atual e uma perspectiva do comércio varejista brasileiro, propõe-se a seguinte questão problema: Qual tem sido o comportamento e volume do comércio varejista atual no Brasil e na região norte? Os autores são motivados pelas consequências que trará a reforma tributária em andamento. Este artigo tem a finalidade de analisar as vendas no comércio varejista do Brasil, nos estados da região norte e mais especificamente o estado do Pará, através de representações gráficas obtidas de fontes de dados governamentais, neste caso, através do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. A metodologia utilizada para demonstrar os dados atuais foi a quantitativa e descritiva através de representações gráficas obtidas por meio de dados governamentais.

Texto completo

1 Introdução

Atualmente estão acontecendo profundas mudanças no que diz respeito à evolução do varejo no Brasil. Com o desenvolvimento da sociedade, o comércio sofreu grandes transformações por ser uma atividade de grande importância para vastos grupos sociais. A história do varejo no Brasil começa no período colonial quando os portugueses fizeram os índios de escravos para extrair as riquezas naturais do nosso país. Com a chegada da família real ao solo tupiniquim, surgiram as primeiras lojas de luxo. No final do século XIX chegam os primeiros imigrantes fortalecendo assim a cultura do comércio. Entre 1900 e 1930 começa o processo de industrialização no Brasil chegando a que em 1953, surgiram os primeiros supermercados. Ainda, foi em 1966 que surgiu o primeiro shopping do país, e, em 1992, a primeira loja virtual. Já no ano de 1995 a conexão com a internet deu sinais de mudanças tecnológicas, liberada para fins comerciais. Os anos 2000 firmam-se com o fortalecimento de novas estratégias no âmbito comercial. O controle das atividades de comércio e serviços varejistas, na cidade de São Paulo, evoluiu desde o tempo do Império (1822), de um controle do comportamento individual (1870- 1900), para o controle da distribuição de gêneros alimentícios, isto é, abastecimento (1900-1930), da localização dos estabelecimentos comerciais (1930-1980) e do controle de impacto de grandes empreendimentos (1980-2000) (Vargas, 1993). Nessa linha, conforme Pereira (2020), no início dos anos 2000, o Brasil vivenciou os impactos da globalização, período em que o avanço tecnológico e a aplicação de novas técnicas de produção foram essenciais para a estabilização dos preços, a redução dos custos e o fortalecimento dos negócios. Assim, em 2006, houve o aumento do consumo devido à redução de impostos e à expansão de crédito.

1.1 Questão-chave

Após esse breve relato histórico, o presente artigo tem como objetivo demonstrar a situação atual e futura do comércio varejista no Brasil. Após várias crises e planos econômicos o momento atual têm enfrentado vários desafios e mantém esperanças em um futuro de grandes resultados através de novas políticas fiscais objetivando o crescimento varejista no Brasil. Visando destacar tal situação foi proposta a seguinte questão problema: Qual tem sido o comportamento e volume do comércio varejista atual no Brasil e na região norte? Os autores são motivados pela comportamento do setor diante da proposta do governo sobre a reforma tributária e os seus resultados.

1.2 Metodologia

A metodologia empregada para demonstrar os dados atuais referentes às vendas no comércio varejista no Brasil em 2023 foi a quantitativa e de forma descritiva, e como fonte dos dados e índices usaram-se as bases de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), através da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), produz indicadores de curto prazo relativos ao setor varejista brasileiro (Ibge, 2023). Iniciada em janeiro de 1995, a pesquisa abrange todo o território nacional e é divulgada mensalmente, após coleta de dados em mais de 5.700 empresas comerciais, selecionadas a partir do cadastro das empresas com vinte ou mais pessoas ocupadas (assalariadas e não assalariadas). A Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) abrange dez grupos de atividades: combustíveis e lubrificantes; supermercados, hipermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo; tecidos, vestuário e calçados; móveis e eletrodomésticos; artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos; equipamentos e materiais para escritório, informática e de comunicação; livros, jornais, revistas e papelaria; outros artigos de uso pessoal e doméstico; veículos e motocicletas, partes e peças; e materiais de construção. Os oito primeiros segmentos listados têm receitas geradas predominantemente na atividade varejista. Já os dois últimos (veículos e motos, partes e peças e materiais de construção), englobam varejo e atacado (Ibge, 2023). Para realização da pesquisa, o IBGE coleta dados sobre a receita bruta mensal das empresas, proveniente da revenda de mercadorias, não deduzidos os impostos incidentes e nem as vendas canceladas, abatimentos e descontos incondicionais. Também não estão incluídas as receitas financeiras e não-operacionais. A partir da receita bruta de revenda investigada são construídos indicadores para duas variáveis: Receita Nominal de Vendas e Volume de Vendas.

2 Desenvolvimento

2.1 Coleta

O comércio varejista no brasil sugere muitos desafios mediante toda a saga enfrentada durantes várias décadas. A quantidade de planos econômicos, inflação alta, políticas fiscais e mudanças nos quadros políticos levaram a economia brasileira a um poço sem fundo. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) divulgou em 29 de setembro de 2023, a Visão Geral da Conjuntura, uma análise detalhada sobre o desempenho da economia brasileira no terceiro trimestre de 2023. O Grupo de Conjuntura da Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (DIMAC) do Ipea reavaliou a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) no Brasil, com uma revisão da alta de 2,3%, da última publicação, para 3,3% em 2023. Para 2024, a previsão é de 2,0%, (Ipea, 2023). Internamente, as políticas adotadas sobre transferência de renda, valorização do salário-mínimo e demais programas sociais, de renegociação de dívidas das famílias de baixa renda, aliadas a certo alívio proveniente da descompressão das taxas de inflação, permitem a elevação do poder de compra da renda das famílias. O maior consumo de bens e aquisição de serviços promove a expansão da atividade de serviço, um setor altamente empregador, dinamizando o mercado de trabalho. O segundo fator de dinamismo é o desempenho das exportações do petróleo e dos produtos da super safra da agropecuária. O ganho de novos mercados faz com que a taxa de crescimento das exportações brasileiras seja superior à taxa de crescimento do comércio internacional. Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que as vendas do comércio varejista acumulam alta de 1,7% nos 12 meses encerrados em setembro de 2023 (Ibge, 2023). Mantido esse ritmo, o setor deverá encerrar o ano com um crescimento maior do que o verificado em 2022, refletindo o desempenho da atividade econômica acima do esperado ao longo deste ano. Como verificado em meses anteriores, o avanço das vendas foi puxado pelo bom desempenho dos segmentos ligados à mobilidade e aos itens básicos. No quadro do consumidor, os dados também têm apontado avanços. O desemprego segue em queda e a renda real continua em alta, já superando os patamares pré-pandemia. Quanto a questão problema aqui identificada, ele remete à tão aguardada aprovação da Reforma Tributária que trará mudanças significativas para diversos setores da economia, e o varejo, possivelmente será um dos mais impactados. Empresas varejistas, que antes se beneficiavam de incentivos fiscais atrelados ao ICMS, agora poderão enfrentar desafios com iminente aumento da carga tributária. De acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o comércio pode sofrer um aumento de até 40% na carga tributária com a implementação da Reforma (Fonseca, 2023). Esse cenário preocupa as empresas do setor, que precisarão se adaptar para lidar com os novos desafios fiscais. A aplicação da regra geral do IVA dual ao setor de varejo é outro aspecto da Reforma que gera preocupações. O longo período de transição de seis anos, mantendo dois sistemas tributários simultaneamente, pode resultar em complexidade e custos adicionais para as empresas varejistas (Fonseca, 2023). Os estados e municípios têm autonomia para estabelecer suas próprias políticas tributárias e oferecer incentivos fiscais para atrair empresas (Fonseca, 2023). Esses incentivos podem incluir isenções ou reduções de impostos, subsídios, financiamentos especiais, entre outros. A intenção por trás dessas medidas é estimular o crescimento econômico local, gerar empregos, aumentar a arrecadação de impostos e desenvolver a infraestrutura. No entanto, quando vários estados e municípios começam a oferecer benefícios semelhantes para atrair investimentos, isso pode levar a uma competição desenfreada, conhecida como “Guerra Fiscal”. Nesse cenário, as empresas podem explorar as diferenças nos benefícios oferecidos por diferentes regiões e buscar o local que ofereça as melhores condições fiscais. Essa competição pode ter várias consequências. Em primeiro lugar, pode levar à perda de arrecadação de impostos para o Fisco, já que os benefícios fiscais reduzem a carga tributária das empresas (Fonseca, 2023). Sendo assim, a vedação de incentivos fiscais pelos estados, pode ser de forma velada, um dos objetivos centrais da Reforma Tributária. Embora busque uma maior uniformidade na tributação, essa medida tem gerado preocupação em estados mais pobres, que temem a adoção de uma alíquota uniforme para todos os bens e serviços, sem levar em conta as diferenças setoriais ou regionais (Fonseca, 2023). O resultados da coleta de dados, abaixo discriminadas, foram realizadas conforme as informações obtidas junto ao IBGE na forma quantitativa. A análise desses dados é demonstrada através de índices (positivos/negativos) dos meses de julho, agosto e setembro de 2023 que refletem o atual momento do comércio varejista brasileiro e que, de alguma forma, a partir desses dados, as reformas que serão implementadas pelo governo federal, venham modificar esse quadro de maneira positiva nas próximas coletas.

2.2 Análise

Os gráficos abaixo foram analisados de forma percentual onde os meses de julho, agosto e setembro foram demarcados como referenciais. Foi analisado por uma perspectiva mais ampla levando em conta, em primeiro lugar, todo o território nacional, em seguida foi feita a coleta de dados considerando os estados da região norte e logo depois, de maneira mais específica, o estado do Pará. Esse artigo finalmente vem demonstrar as condições atuais em que as regiões onde foram aplicadas a pesquisa, estão passando, e dessa forma, através dos dados apresentados, políticas fiscais como a Reforma Tributária venham empreender para que a economia brasileira volte a crescer. O resultado mostra o retrato atual das vendas do comércio varejista no brasil, servindo de referência a estudos complementares por parte de um determinado público ao qual esteja interessado na pesquisa por dados atualizados da situação do varejo brasileiro. Esses dados serão demonstrados a seguir através dos gráficos das Figuras 1, 2, 3 e 4 que mostram a evolução percentual do volume de vendas do comércio varejista brasileiro.

3 Desdobramentos

Ao analisar os dados aqui destacados, através de uma fonte não questionável, pode observar-se um quadro de perspectivas positivas no que se refere ao volume de vendas do comércio varejista brasileiro, haja vista a evolução recorrente, subtraindo, é claro, alguns meses de retração. O cenário político atual parece sinalizar um futuro de mudanças no setor fiscal através de uma reforma tributária, ou seja, mecanismo que pode resultar em um crescimento no volume de vendas e dessa forma venha favorecer, em uma reação em cadeia, outros setores além de estimular a economia nacional e o aumento de novas vagas de emprego no setor. Esses dados servem de indicadores para estudos da área econômica do governo federal na busca das melhores estratégias para o crescimento do setor.

Figuras

  • Indicadores do volume de vendas no comércio varejista brasileiro 2023 – Brasil e Unidades da Federação região Norte

  • Indicadores do volume de vendas no comércio varejista brasileiro 2023 – Brasil e o Estado do Pará, meses de julho, agosto e setembro

Referências

CÂMARA DOS DEPUTADOS. REFORMA TRIBUTÁRIA. Disponível em < https://www.camara.leg.br/internet/agencia/infograficos-html5/ReformaTributaria/index.html > Acessado em 26 nov. 2023.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Pesquisa mensal do comércio – PMC. Disponível em: <https://sidra.ibge.gov.br/pesquisa/pmc/tabelas>. Acesso em 26 nov. 2023.

IPEA: Instituto de pesquisa Econômica Aplicada: Visão Geral da Conjuntura. Disponível em: https://www.ipea.gov.br/cartadeconjuntura/index.php/category/sumario-executivo/ > Acessado em 27 nov. 2023.

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Os impactos da Reforma Tributária no Varejo Disponível em < https://rfonseca.adv.br/blog/tributario/reforma-tributaria-no-varejo/> Acessado em 25 nov.2023.

PARENTE, J. Varejo no Brasil: gestão e estratégia. São Paulo: Atlas, 2000.

PEREIRA, Vinícius Rogério Costa. O crescimento do setor de varejo via fusões e aquisições no Brasil nos anos 2000. 2020. 59 f. Monografia (Bacharel em ciências econômicas), Universidade Federal de Uberlândia, Instituto de Economia e Relações Internacionais, Uberlândia, 2020. Disponível em: <https://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/30235/3/CrescimentoDoSetor.pdf.> Acesso em 26 nov. 2023.

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