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Revista Eletrônica sobre Acesso a Dados · eISSN 2763-7875

Demanda e oferta da Suinocultura: Interpretação dos dados nacionais

Publicado em v. 3, n. 2 (2022)

Autores

  • Caio Henrique de Ataíde Francisco UNESP/Tupã
  • Jaqueline Aparecida de Sousa UNESP
  • Fernanda Lacerda Santana UNESP
  • Mariângela Sassá Pereira UNESP

Resumo

O presente artigo tem como objetivo apresentar o resultado de uma investigação feita sobre a demanda e oferta de carne suína no Brasil. Foram analisadas as questões mais relevantes sobre o mercado da suinocultura nos últimos anos e o impacto que ele detém diante da economia Brasileira. Os dados foram coletados em fontes de informações sobre a pecuária de órgãos públicos como o CONAB. Através dos gráficos de dispersão, foi possível identificar o atual nível de produção e comportamento do consumo nacional. Por fim, foi calculado a estimativa de consumo e disponibilidade de carne suína nos próximos dez anos, sendo identificado uma alta do consumo por parte dos brasileiros.

Texto completo

1 Introdução

O interesse do colonizador pela atividade mineradora, pouco ou nada sobrava de mão-de-obra para as atividades de plantio ou criação de animais. Isso levou ao uso abundante dos porcos nas Minas Gerais do século XVIII, pois para sua criação bastavam as “lavagens”; restos de alimentos, acrescentados a produtos nativos como bananas e inhame, compunham a ração necessária para a fartura de banha, torresmo, carnes, lingüiça e lombo. (SEBRAE, 2008, p.19).
Tais necessidades são visíveis quando observado o mercado interno como um todo, pois de acordo com o site ‘Suinocultura Industrial’ e dados analisados do CEPEA, a competitividade da carne suína comparado com as principais carnes (bovina e frango) aumentou e, se tornou uma opção barata e rentável para consumo dos brasileiros (SUINOCULTURA INDUSTRIAL, 2021).
Vllwock (2001) aponta que um dos elos mais importantes na cadeia produtiva está na exigência de garantia alimentar, que está elevando consideravelmente os custos atuais, tanto de produtores como de atacadistas. Para o autor, torna-se necessário, para atender essas exigências legais, a agregação dos processos como a implantação de sistemas de certificação e rastreabilidade dos produtos, desde a utilização dos insumos até o produto final, afetando o nível de competitividade da cadeia.
Raimundo & Batalha (2015) apontam que a carne suína é consumida duas ou três vezes ao mês, tendo sido observado que os homens são consumidores mais frequentes do produto. Arêdes et al. (2012) também verificaram que a carne suína é produto substituto da bovina. Quando o preço da carne de boi eleva-se, a quantidade consumida tende a diminuir, parte do consumo, então, se desloca para a carne suína.
Mesmo com esses argumentos, verifica-se que ao longo dos últimos seis anos, houve um crescimento em relação a oferta (disponibilidade) e demanda (consumo) de carne suína no Brasil. Segundo o levantamento feito pela ABPA (Associação Brasileira Proteína Animal) (2021), o país superou recordes de produção e exportação no ano de 2021, mesmo em período de pandemia, evidenciando a alta do setor no mercado interno e externo e com isso, melhorando o quadro econômico do país.

1.1 Questão-chave

Nosso estudo tem como justificativa identificar o atual cenário em relação a demanda e oferta de carne suína no Brasil e suas tendências, para assim entendermos o comportamento das variáveis estudadas.

1.2 Metodologia

Para a realização deste trabalho foram realizados alguns procedimentos metodológicos, como a coleta de dados sobre a oferta (disponibilidade) e demanda (consumo) de carne suína. Os dados utilizados sobre a disponibilidade de carne suína se encontram em tabelas e disponíveis na seção ‘Oferta e demanda de Carnes’ no site da CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) além do relatório anual da ABPA do ano de 2021, com os dados de demanda de carne suína. Os dados coletados foram armazenados em planilhas e disponibilizados em pastas na nuvem. Com isso, os dados foram transformados em gráficos, para melhor visualização e entendimento sobre o consumo e a disponibilidade interna da carne suína, através deles foram possíveis a recuperação da equação da reta e o valor da correlação dos dados analisados, e por fim, compreender e identificar o comportamento dos dados encontrados.

2 Desenvolvimento

2.1 Coleta

A coleta dos dados ocorreu em dois momentos. O primeiro momento foi a definição do tema e a questão-chave, por meio disso, houve a identificação dos dados para que fosse possível atender os critérios preestabelecidos. Os dados sobre o suprimento de carnes no Brasil, encontrados na CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) foram o início da pesquisa, com isso, foi preciso buscar outra base de dados para complementar as primeiras análises realizadas no trabalho. No segundo momento, foram coletados dados de uma tabela simples do relatório da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) no ano de 2021, sobre o consumo per capita de carne suína no Brasil, assim permitindo a análise do comportamento das variáveis estudadas.

2.2 Análise

Com apoio do recurso gráfico, é possível identificar que o mercado de suinocultura no Brasil terá mudanças significativas nos próximos anos, segue o raciocínio. Com a disponibilidade per capita que mede a quantidade em quilogramas de carne suína um brasileiro tem a disposição de compra e encontrabilidade por ano, percebe-se que a variável segue uma média de 15 quilogramas durantes os últimos anos analisados, em destaque, 2020 e 2021 - com valores muito próximos.
Porém, como visto no gráfico acima, se analisarmos friamente o comportamento dos marcadores e da linha de tendência, a disponibilidade per capita manterá um nível parecido e com tendências de queda para os próximos anos, comprometendo e colocando em cheque, a produção nacional.
Por outro lado, o consumo per capita que identifica a quantidade em quilogramas de carne suína que um brasileiro consome por ano, apresenta dados positivos em um análise cultural, pois a carne se torna uma opção viável para os brasileiros, quebrando paradigmas passados que inviabiliza o seu consumo em larga escala. Mas no ponto de vista econômico, mostra-se preocupante pois segundo a linha de tendência apresentada, o consumo de carne suína tem uma tendência de aumento para os próximos anos, entrando em confronto com a disponibilidade da carne disponível no mercado interno.

3 Desdobramentos

Para complementar as análises das pesquisas feitas até o momento, como fator de desdobramentos futuros, aos interessados, é possível explorar o contexto da suinocultura no sentido de ‘identificação de escassez ou abundância na produção de carne suínas e seus derivados’ e a ‘tendências do setor nos próximos anos no Brasil’.
Com base nos dados coletados, foi possível identificar o atual cenário em relação à demanda e oferta de carne suína no Brasil e suas tendências. A produção de carne suína tem sido o suficiente para o consumo dos brasileiros (77%) e para a exportação (23%), segundo dados disponibilizados pelo relatório anual da ABPA (2021). O Brasil bateu recorde de consumo mesmo estando em pandemia, como comenta a ABPA (2021) na investigação sobre a produção e exportação do setor, podemos observar que houve aumento na produção de carne suína no Brasil, sendo influenciado pela demanda do mercado interno e externo.
E como uma alternativa para identificar quais seriam os possíveis quadros econômicos (disponibilidade e consumo) do setor, foi realizado um cálculo com apoio da Equação da reta com o objetivo de obter a estimativa das variáveis estudadas para os próximos dez anos, sendo de 2022 a 2031. Com isso, concluímos que, a média da disponibilidade (oferta) será de 15,40 quilogramas e o consumo chegará a 17,51 quilogramas, durante o período analisado, ou seja, a produção da carne suína e o seu consumo continuará crescendo durante os anos, assim contribuindo para o crescimento dos produtores.

Figuras

  • Demanda e oferta da Suinocultura: Interpretação dos dados nacionais

Referências

ABPA - Relatório Anual 2021. Disponível em: https://abpa-br.org/wp-content/uploads/2021/04/ABPA_Relatorio_Anual_2021_web.pdf. Acessado em 24 de janeiro de 2022

ABPA - Produção e exportações da Avicultura e da Suinocultura em 2021.Disponível em: ABPA - Associação Brasileira de Proteína Animal (abpa-br.org), acessado em 25 de janeiro de 2022

Arêdes, A. F. Santos, M. L., & Gomes, M. F. M. (2012). Uma análise da transmissão de preços da carne suína em mercados selecionados no Brasil no período de 2000 a 2009. Organizações Rurais & Agroindustriais, 14(1), 142-154.

CONAB - Oferta e demanda de Carnes. Disponível em: https://www.conab.gov.br/info-agro/analises-do-mercado-agropecuario-e-extrativista/analises-do-mercado/oferta-e-demanda-de-carnes. Acessado em 24 de janeiro de 2022.

Raimundo, L. M. B., & Batalha, M. O. (2015). Swine meat market in Sao Paulo: segments and strategies. Gestão & Produção, 22(2), 391-403.

SEBRAE - Suinocultura: Carnes in natura, embutidos e defumados. Disponível em: http://www.bibliotecas.sebrae.com.br/chronus/ARQUIVOS_CHRONUS/bds/bds.nsf/E700C099069CC7A8832574DC004BECAE/$File/NT000390A6.pdf. Acessado em 25 de janeiro de 2022.

VILLWOCK, L. H. M. Consórcios Agroexportadores: Estratégia para o desenvolvimento competitivo da cadeia de produção de suínos no RS. (Tese de doutorado). Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS. 2001.