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Revista Eletrônica sobre Acesso a Dados · eISSN 2763-7875

O impacto da pandemia do COVID-19 no desemprego do Brasil

Publicado em v. 3, n. 2 (2022)

Autores

  • Danielle Rael Gutinik UNESP
  • Vagner Domingues da Silva UNESP
  • Igor Mendes da Silva
  • Livia Gabriele Dias Soares UNESP
  • Matheus Kendy Onisi Tomo UNESP

Resumo

Este artigo busca identificar e fundamentar como a pandemia do COVID-19 impactou a causa desemprego no Brasil durante o período de 2020-2021. Os primeiros efeitos da pandemia se manifestaram no campo da saúde, deixando cicatrizes na sociedade em todos os contextos, como o econômico e o social. Com isso nesse estudo buscamos observar o contexto desemprego em território nacional, e em quais momentos a pandemia afetou a vida dos trabalhadores brasileiros mais intensamente. Para isso foi estabelecido a busca de informações em órgãos públicos responsáveis por coletar, tratar e disseminar dados relativos ao desemprego no Brasil, como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE em suas publicações trimestrais “Indicadores do IBGE: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua”, utilizando-se as tabelas que analisam pessoas de 14 anos ou mais de idade desocupadas, na semana de referência (em milhares). Para elaboração foram utilizados três gráficos que buscavam relacionar pandemia e desemprego, assim como obter conhecimentos sobre variáveis relacionadas com o mercado de trabalho, como informalidade, admissões e demissões.

Texto completo

1 Introdução

Ao longo dos anos de 2020 e 2021, o mundo se deparou com uma nova barreira no que condiz toda a convivência humana, o COVID-19, identificado em dezembro de 2019 em Wuhan, na China, causada pelo vírus SARS-CoV-2 (OPAS BRASIL, 2020). Durante esse período, o vírus se espalhou rapidamente pelo mundo, sendo declarado estado de pandemia no dia 11 de março de 2020 pela Organização Mundial da Saúde - OMS. Tomando proporções preocupantes na humanidade como um todo, no contexto da saúde ao contexto da economia e mercado de trabalho (COSTA, 2020).
Entre tantos impactos que a pandemia causou, um deles foi o desemprego, que embora já vinha com um valor de dois dígitos, apresentou um crescimento durante esse período, com uma taxa de desocupação de 12,6% no terceiro trimestre de 2021 (IBGE, 2022), além disso ocorreu uma ""elevação da informalização do trabalho, dos terceirizados, dos subcontratados, dos flexibilizados, dos trabalhadores em tempo parcial e do subproletariado” (COSTA, 2020, p. 972).
Com isso, este estudo se propõe a averiguar as cicatrizes da pandemia no contexto do desemprego no Brasil durante a pandemia do COVID-19 entre o período do primeiro trimestre de 2020 ao terceiro trimestre de 2021, uma vez que a primeira contaminação ocorreu no final de fevereiro de 2020 (AGÊNCIA BRASIL, 2021), visando identificar se a variação do número de casos da pandemia do COVID-19 influenciou no desemprego no Brasil (2020-2021).

1.1 Questão-chave

A pandemia do COVID-19 influenciou no desemprego no Brasil (2020-2021)?

1.2 Metodologia

O processo metodológico se iniciou com a escolha do tema abordado, seguida pela busca por fontes de informações confiáveis que disponham de dados relativos ao desemprego no Brasil durante o período da pandemia do COVID-19 (2020-2021), além de outros dados sobre o mercado de trabalho. Após a coleta dos dados se sucedeu seu tratamento, seguido pela elaboração de gráficos, visando demonstrar a correlação entre o desemprego e o número de casos de COVID-19.
Parte do apreço para a pesquisa se deu na identificação de materiais que contemplem os temas tratados na pesquisa, como a busca por informações sobre Desemprego e COVID-19 em outros órgãos nacionais. Por fim, o estudo discorre de forma descritiva e cognitiva sobre a temática a qual se compromete.

2 Desenvolvimento

2.1 Coleta

Após a escolha do tema da pesquisa, foi feita uma busca por dados referentes a ele em fontes confiáveis. Sendo os dados coletados do periódico Indicadores IBGE: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, com divulgação trimestral, sendo os periódicos escolhidos do 1° e 3° trimestre de 2021, que apresentam os dados do 1° e 4° trimestre; e 2° e 3° trimestre, respectivamente. Dentro dos documentos as tabelas utilizadas foram “Pessoas de 14 anos ou mais de idade desocupadas, na semana de referência (em milhares)”, encontrada na página 14. Os dados foram utilizados para analisar o desemprego durante a pandemia do COVID-19.
Os dados coletados acerca dos índices de contaminação da patologia foram encontrados no site Coronavírus Brasil sendo este criado para ser veículo oficial de comunicação sobre a situação epidemiológica da COVID-19 no Brasil. A plataforma dispõe de documentos em formato csv nos quais foram utilizados os dados de casos acumulados no Brasil do 1° trimestre de 2020 ao 3° trimestre de 2021.
A fim de verificar a situação dos profissionais de forma mais detalhada, foi coletado no site do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada - IPEA, dados sobre os indicadores mensais do mercado de trabalho, sendo utilizada as tabelas 9, 10 e 21, referentes ao número de Pessoas de 14 anos ou mais de idade, ocupadas na semana de referência como Empregado no setor privado com carteira de trabalho assinada (exclusive trabalhador doméstico), Empregado no setor privado sem carteira de trabalho assinada (exclusive trabalhador doméstico) e os por Conta própria. E para analisar as admissões e demissões no período de 2020 e 2021, foi usado dados da Tabela 5 - Evolução de estoque, admissões, desligamentos e saldos por mês do Novo Caged – STRAB/MTP.

2.2 Análise

O nível de desemprego no país já decorria de um crescimento, o que foi agravado durante a pandemia, teve um aumento relativo durante o terceiro trimestre de 2020, um pico constante no primeiro e segundo trimestre de 2021, e uma queda acentuada no terceiro trimestre do mesmo ano, podemos observar algo semelhante com os novos casos de Covid-19 no Brasil. Podendo perceber um grau satisfatório de correlação entre a taxa de desemprego e os casos de Covid-19.
Calculando o aumento de pessoas trabalhando em conta própria em porcentagem do período de julho de 2020 (menor valor) e agosto de 2021, é possível ver um aumento de 20%. Já analisando o número de pessoas sem carteira assinada no setor privado no período de menor valor, junho 2020, e agosto de 2021, esse crescimento é de 40%. Enquanto, os com carteira assinada, no mesmo intervalo de tempo, cresceu 10%.
No período do segundo trimestre de 2020, ocorreu uma queda nas admissões, assim como dos desligamentos, período esse em que teve um grande aumento de casos de covid-19 e da taxa de desemprego. Após isso ocorreu uma tendência de crescimento do número de desligamentos. Enquanto o número de admissões, apresentou picos de subida e descida, tendo um crescimento de forma geral.
Os dados poderão vir a ser utilizados para averiguar a situação do desemprego durante a pandemia no Brasil (2020-2021) e compará-los com o número de novos casos de Covid-19 no Brasil e monitorar como se comportou a situação do emprego no Brasil, verificando onde as pessoas se alocaram.

3 Desdobramentos

Pode ser analisado se o impacto do número de desemprego teve alguma relação com outras taxas, como: a relação entre a vacinação e o desemprego, e identificar sequelas no contexto do trabalho no Brasil, e como isso se refletirá nos anos futuros.

Figuras

  • 1 - O impacto da pandemia do COVID-19 no desemprego do Brasil

  • 2 - O impacto da pandemia do COVID-19 no desemprego do Brasil

  • 3 - O impacto da pandemia do COVID-19 no desemprego do Brasil

Referências

AGÊNCIA BRASIL. Primeiro caso de covid-19 no Brasil completa um ano. Agência Brasil. Brasília, 2021. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2021-02/primeiro-caso-de-covid-19-no-brasil-completa-um-ano. Acesso em: 26 jan. 2022.

COSTA, Simone da Silva. Pandemia e desemprego no Brasil. Revista de administração pública, Rio de Janeiro, v. 54, p. 969-978, 1 jul. 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rap/a/SGWCFyFzjzrDwgDJYKcdhNt/?lang=pt. Acesso em: 26 jan. 2022.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Indicadores IBGE: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua. Divulgação Especial Medidas de Subutilização da Força de Trabalho no Brasil 1º trimestre de 2021. Brasil: 2021. Disponível em: https://ftp.ibge.gov.br/Trabalho_e_Rendimento/Pesquisa_Nacional_por_Amostra_de_Domicilios_continua/Trimestral/Novos_Indicadores_Sobre_a_Forca_de_Trabalho/pnadc_202103_trimestre_novos_indicadores.pdf. Acesso em: 26 jan. 2022.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Desemprego. Brasil: 2021. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/explica/desemprego.php. Acesso em: 16 fev. 2022.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Indicadores IBGE: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua. Divulgação Especial Medidas de Subutilização da Força de Trabalho no Brasil 1º trimestre de 2021. Brasil: 2021.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Séries Mensalizadas: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua. 4 nov. 2021. Disponível em: https://view.officeapps.live.com/op/view.aspx?src=https%3A%2F%2Fwww.ipea.gov.br%2Fcartadeconjuntura%2Fwp-content%2Fuploads%2F2021%2F11%2FSeriesMensalizadasPnadContinua_Jan2012aAgo2021.xlsx&wdOrigin=BROWSELINK. Acesso em: 16 fev. 2022.

ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE BRASIL. Folha informativa – COVID-19 (doença causada pelo novo coronavírus). 29 maio 2020. Disponível em: https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=6101:covid19&Itemid=875. Acesso em: 26 jan. 2022.

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