Povos indígenas em terras delimitadas: um estudo demográfico comparativo dos censos de 2010 e 2022Indigenous peoples in delimited lands: a comparative demographic study of the 2010 and 2022 censusesPueblos indígenas en tierras delimitadas: un estudio demográfico comparativo de los censos de 2010 y 2022
Publicado em v. 4, n. 2 (2023)
Published in Vol. 4, No. 2 (2023)
Publicado en v. 4, n. 2 (2023)
AutoresAuthorsAutores
- Ana Claudia Vicari UNESP
- Isabela Correa Macena UNESP
- Valeria Almeida Oliveira UNESP
ResumoAbstractResumen
O presente artigo busca analisar os dados demográficos dos Censos de 2010 e 2022, com um enfoque nos povos indígenas que residem em terras demarcadas no Brasil. A pesquisa revela que, embora haja um aumento no número de indígenas registrados nestas terras, as proporções regionais permanecem consistentes. A metodologia envolveu a coleta e organização de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados estudados representam uma oportunidade crucial para melhorar a compreensão e o apoio às comunidades indígenas em terras demarcadas, o que possibilita a promoção de um futuro mais inclusivo e equitativo.
This article seeks to analyze the demographic data from the 2010 and 2022 Censuses, with a focus on Indigenous peoples residing in demarcated lands in Brazil. The research reveals that, although there is an increase in the number of Indigenous people registered in these lands, the regional proportions remain consistent. The methodology involved the collection and organization of data from the Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). The data studied represent a crucial opportunity to improve the understanding of and support for Indigenous communities in demarcated lands, which makes it possible to promote a more inclusive and equitable future.
El presente artículo busca analizar los datos demográficos de los Censos de 2010 y 2022, con un enfoque en los pueblos indígenas que residen en tierras demarcadas en Brasil. La investigación revela que, aunque hay un aumento en el número de indígenas registrados en estas tierras, las proporciones regionales permanecen consistentes. La metodología implicó la recolección y organización de datos del Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Los datos estudiados representan una oportunidad crucial para mejorar la comprensión y el apoyo a las comunidades indígenas en tierras demarcadas, lo que posibilita la promoción de un futuro más inclusivo y equitativo.
Palavras-chave
Keywords
Palabras clave
Texto completoFull textTexto completo
1 Introdução
Os Censos Demográficos têm se revelado uma ferramenta indispensável para o estudo dos povos indígenas no Brasil. Como mencionado por Campos e Estanislau (2016), os Censos Demográficos representam uma das principais fontes de informações para estudos quantitativos sobre a população brasileira, devido à sua abrangência geográfica e à variedade de informações incluídas nas pesquisas. De acordo com Santos e Teixeira (2011), o Brasil possui uma grande diversidade sociocultural indígena, com cerca de 230 etnias. No entanto, a proporção de indígenas na população total é relativamente baixa, representando menos de 1%. Portanto, é um desafio gerar estatísticas nacionalmente representativas que reflitam a situação sociodemográfica dos povos indígenas. Conforme observado por Neves (2012), a demografia dos povos indígenas tem passado por transformações substanciais, influenciadas pelo processo de afirmação étnica. Neste contexto, a análise comparativa dos Censos de 2010 e 2022 para os povos indígenas em terras delimitadas emerge como uma ferramenta crucial para entender as tendências demográficas e, também, as transformações das condições sociodemográficas desses grupos ao longo do tempo.
1.1 Questão-chave
Assim, o presente estudo busca entender como variou o número de indivíduos pertencentes a povos indígenas que habitam terras delimitadas no Brasil entre os Censos de 2010 e 2022?
1.2 Metodologia
A metodologia adotada para este estudo baseou-se na coleta de dados a partir das fontes disponibilizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), especificamente os Censos Demográficos de 2010 e 2022. A primeira etapa envolveu a extração dos dados demográficos relevantes referentes aos povos indígenas em terras demarcadas no Brasil. Em seguida, organizamos os dados coletados em uma tabela para uma análise comparativa entre os dois censos. A análise dos dados e gráficos foi realizada com foco na identificação de mudanças demográficas e na manutenção ou alteração das proporções regionais, com base nas informações disponíveis nos censos. A análise cartográfica também permitiu uma compreensão visual das distribuições geográficas das populações indígenas em terras demarcadas.
2 Desenvolvimento
2.1 Coleta
A coleta de dados foi realizada a partir dos questionários dos Censos de 2010 e 2022, que incluem informações detalhadas sobre a população brasileira, incluindo os povos indígenas em terras delimitadas. Os dados foram obtidos através de fontes oficiais do IBGE, que disponibiliza microdados de ambos os censos para análise.
2.2 Análise
A análise dos dados do Censo Demográfico de 2022 revela uma notável expansão na abrangência das populações indígenas residentes em terras demarcadas no Brasil em comparação a 2010. Enquanto em 2010 havia um total de 567.562 indivíduos registrados como residentes nessas áreas, o número aumentou significativamente para 622.066 em 2022. Essa expansão na contagem populacional pode ser vista como um reflexo do esforço de inclusão e aprimoramento dos métodos de coleta de dados em comunidades remotas. Entretanto, é notável que, apesar do aumento absoluto na contagem de indivíduos, as proporções regionais permaneceram relativamente consistentes. O Norte do Brasil continua a ser a região com a maior concentração de indígenas em terras demarcadas, enquanto o Sudeste mantém a menor proporção em relação ao total. Essa manutenção das proporções regionais sugere uma persistência nas dinâmicas demográficas e geográficas de comunidades indígenas. Assim, o acesso a tais dados oferece insights valiosos sobre a situação demográfica dos povos indígenas em terras delimitadas no Brasil. A análise pode ser usada para orientar políticas públicas que visem melhorar as condições de vida e a preservação das culturas de tais grupos.
3 Desdobramentos
A continuação da análise ao longo do tempo permitirá o monitoramento das tendências demográficas das populações indígenas, de modo a auxiliar na compreensão de fatores como migração e crescimento populacional. Além disso, tais dados representam um recurso valioso para estudos acadêmicos mais aprofundados sobre questões sociodemográficas, culturais e ambientais relacionadas aos povos indígenas.
1 Introduction
Demographic Censuses have proven to be an indispensable tool for the study of Indigenous peoples in Brazil. As mentioned by Campos and Estanislau (2016), the Demographic Censuses represent one of the main sources of information for quantitative studies on the Brazilian population, due to their geographic coverage and the variety of information included in the surveys. According to Santos and Teixeira (2011), Brazil has a great Indigenous sociocultural diversity, with about 230 ethnic groups. However, the proportion of Indigenous people in the total population is relatively low, representing less than 1%. Therefore, it is a challenge to generate nationally representative statistics that reflect the sociodemographic situation of Indigenous peoples. As observed by Neves (2012), the demography of Indigenous peoples has undergone substantial transformations, influenced by the process of ethnic affirmation. In this context, the comparative analysis of the 2010 and 2022 Censuses for Indigenous peoples in delimited lands emerges as a crucial tool for understanding demographic trends and, also, the transformations in the sociodemographic conditions of these groups over time.
1.1 Key question
Thus, the present study seeks to understand: how did the number of individuals belonging to Indigenous peoples living in delimited lands in Brazil vary between the 2010 and 2022 Censuses?
1.2 Methodology
The methodology adopted for this study was based on data collection from the sources made available by the Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), specifically the 2010 and 2022 Demographic Censuses. The first stage involved the extraction of the relevant demographic data regarding Indigenous peoples in demarcated lands in Brazil. Next, we organized the collected data in a table for a comparative analysis between the two censuses. The analysis of the data and charts was carried out with a focus on identifying demographic changes and the maintenance or alteration of regional proportions, based on the information available in the censuses. The cartographic analysis also allowed a visual understanding of the geographic distributions of Indigenous populations in demarcated lands.
2 Development
2.1 Data collection
Data collection was carried out based on the questionnaires of the 2010 and 2022 Censuses, which include detailed information on the Brazilian population, including Indigenous peoples in delimited lands. The data were obtained from official sources of the IBGE, which makes microdata from both censuses available for analysis.
2.2 Analysis
The analysis of the 2022 Demographic Census data reveals a notable expansion in the coverage of Indigenous populations residing in demarcated lands in Brazil compared to 2010. While in 2010 there was a total of 567,562 individuals registered as residents in these areas, the number increased significantly to 622,066 in 2022. This expansion in the population count can be seen as a reflection of the effort toward inclusion and the improvement of data collection methods in remote communities. However, it is notable that, despite the absolute increase in the count of individuals, the regional proportions remained relatively consistent. The North of Brazil continues to be the region with the highest concentration of Indigenous people in demarcated lands, while the Southeast maintains the lowest proportion relative to the total. This maintenance of regional proportions suggests a persistence in the demographic and geographic dynamics of Indigenous communities. Thus, access to such data offers valuable insights into the demographic situation of Indigenous peoples in delimited lands in Brazil. The analysis can be used to guide public policies aimed at improving the living conditions and the preservation of the cultures of such groups.
3 Further developments
Continuing the analysis over time will allow the monitoring of the demographic trends of Indigenous populations, so as to assist in understanding factors such as migration and population growth. In addition, such data represent a valuable resource for more in-depth academic studies on sociodemographic, cultural, and environmental issues related to Indigenous peoples.
1 Introducción
Los Censos Demográficos se han revelado como una herramienta indispensable para el estudio de los pueblos indígenas en Brasil. Como mencionan Campos y Estanislau (2016), los Censos Demográficos representan una de las principales fuentes de información para estudios cuantitativos sobre la población brasileña, debido a su cobertura geográfica y a la variedad de información incluida en las encuestas. De acuerdo con Santos y Teixeira (2011), Brasil posee una gran diversidad sociocultural indígena, con cerca de 230 etnias. No obstante, la proporción de indígenas en la población total es relativamente baja, ya que representa menos del 1%. Por lo tanto, es un desafío generar estadísticas representativas a nivel nacional que reflejen la situación sociodemográfica de los pueblos indígenas. Como observa Neves (2012), la demografía de los pueblos indígenas ha experimentado transformaciones sustanciales, influenciadas por el proceso de afirmación étnica. En este contexto, el análisis comparativo de los Censos de 2010 y 2022 para los pueblos indígenas en tierras delimitadas surge como una herramienta crucial para comprender las tendencias demográficas y, también, las transformaciones de las condiciones sociodemográficas de estos grupos a lo largo del tiempo.
1.1 Pregunta clave
Así, el presente estudio busca comprender: ¿cómo varió el número de individuos pertenecientes a pueblos indígenas que habitan tierras delimitadas en Brasil entre los Censos de 2010 y 2022?
1.2 Metodología
La metodología adoptada para este estudio se basó en la recolección de datos a partir de las fuentes puestas a disposición por el Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), específicamente los Censos Demográficos de 2010 y 2022. La primera etapa implicó la extracción de los datos demográficos relevantes referentes a los pueblos indígenas en tierras demarcadas en Brasil. A continuación, organizamos los datos recolectados en una tabla para un análisis comparativo entre los dos censos. El análisis de los datos y gráficos se realizó con un enfoque en la identificación de cambios demográficos y en el mantenimiento o la alteración de las proporciones regionales, con base en la información disponible en los censos. El análisis cartográfico también permitió una comprensión visual de las distribuciones geográficas de las poblaciones indígenas en tierras demarcadas.
2 Desarrollo
2.1 Recolección de datos
La recolección de datos se realizó a partir de los cuestionarios de los Censos de 2010 y 2022, que incluyen información detallada sobre la población brasileña, incluidos los pueblos indígenas en tierras delimitadas. Los datos se obtuvieron a través de fuentes oficiales del IBGE, que pone a disposición microdatos de ambos censos para su análisis.
2.2 Análisis
El análisis de los datos del Censo Demográfico de 2022 revela una notable expansión en la cobertura de las poblaciones indígenas residentes en tierras demarcadas en Brasil en comparación con 2010. Mientras que en 2010 había un total de 567.562 individuos registrados como residentes en estas áreas, el número aumentó significativamente a 622.066 en 2022. Esta expansión en el conteo poblacional puede verse como un reflejo del esfuerzo de inclusión y del perfeccionamiento de los métodos de recolección de datos en comunidades remotas. Sin embargo, es notable que, a pesar del aumento absoluto en el conteo de individuos, las proporciones regionales se mantuvieron relativamente consistentes. El Norte de Brasil sigue siendo la región con la mayor concentración de indígenas en tierras demarcadas, mientras que el Sudeste mantiene la menor proporción en relación con el total. Este mantenimiento de las proporciones regionales sugiere una persistencia en las dinámicas demográficas y geográficas de las comunidades indígenas. Así, el acceso a dichos datos ofrece perspectivas valiosas sobre la situación demográfica de los pueblos indígenas en tierras delimitadas en Brasil. El análisis puede utilizarse para orientar políticas públicas que busquen mejorar las condiciones de vida y la preservación de las culturas de dichos grupos.
3 Desarrollos posteriores
La continuación del análisis a lo largo del tiempo permitirá el monitoreo de las tendencias demográficas de las poblaciones indígenas, de modo que contribuya a la comprensión de factores como la migración y el crecimiento poblacional. Además, dichos datos representan un recurso valioso para estudios académicos más profundos sobre cuestiones sociodemográficas, culturales y ambientales relacionadas con los pueblos indígenas.
FigurasFiguresFiguras
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ReferênciasReferencesReferencias
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Censo Demográfico de 2010: Características Gerais dos Indígenas - Resultados do Universo. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/9662-censo-demografico-2010.html?edicao=9677. Acesso em: 3 out. 2023.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Censo Demográfico de 2022: Indígenas | Primeiros resultados do universo. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/22827-censo-demografico-2022.html?=&t=sobre. Acesso em: 3 out. 2023.
CAMPOS, Marden Barbosa de; ESTANISLAU, Bárbara Roberto. Demografia dos povos indígenas: os censos demográficos como ponto de vista. Revista Brasileira de Estudos de População, v. 33, n. 2, 2016.
NEVES, Lino João de Oliveira. Volta ao começo: demarcação emancipatória de terras indígenas no brasil. 2012. 839 f. Tese (Doutorado) - Curso de Economia, Universidade de Coimbra, Coimbra, 2013.
SANTOS, Ricardo Ventura; TEIXEIRA, Pery. O “indígena” que emerge do Censo Demográfico de 2010. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 27, n. 6, 2011.