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Revista Eletrônica sobre Acesso a Dados · eISSN 2763-7875

Práticas de Curadoria Digital na Biblioteca Nacional Brasileira: preservação do patrimônio bibliográfico

Publicado em v. 4, n. 2 (2023)

Autores

  • Caio Gabriel Silva Monteiro UFPA
  • Afonso Santos Serejo UFPA

Resumo

O presente artigo visa contribuir com uma análise das práticas de curadoria digital cometidas especificamente pela Fundação Biblioteca Nacional (FBN) do Brasil, atra-vés de seu catálogo on-line: a BN digital. Considera-se a relevância da mostra das remessas exatas das obras digitalizadas pela fundação, em vista da crescente evo-lução do mundo digital e necessidade da preservação do patrimônio documental do país. O objetivo do artigo é valorar dados sobre a quantidade de obras digitalizadas e acrescidas no catálogo da BN Digital, entre os anos de 2019 e 2022. A metodolo-gia utilizada foi de abordagem quantitativa, via busca de dados disponibilizados pelo Governo Federal. A coleta foi feita totalmente de modo on-line, e transcrita para a forma de gráficos. A análise dos dados indicou quais tipos de obras foram digitaliza-das durante o dito período, e quais as quantidades exatas foram postas a disponibi-lidade pela plataforma da BN Digital.

Palavras-chave

Biblioteca NacionalCuradoria digitalRegistros bibliográficosBN Digital

Texto completo

1 Introdução

A curadoria digital pode ser definida como o conector de ações que asseguram a genuinidade de um conjunto de dados, permitindo que seu uso alcance para além de seus produtores. Seu objetivo é construir conhecimentos teóricos e práticos relacio-nados à curadoria em espaços de informação, estimular o desenvolvimento da consciência crítica e a capacidade de construir novos processos de organização, estruturação, busca de informações e ensino-aprendizagem relacionados à cultura digital. E essa preservação digital consiste na capacidade de garantir que a informa-ção permaneça acessível e resguardando as qualidades de autenticidade suficientes para que o documento possa ser interpretado no futuro, recorrendo a uma platafor-ma tecnológica diferente da utilizada no momento da sua criação (Ferreira; Saraiva; Rodrigues, 2012). Uma grande instituição que apoia essa doutrina, é a Biblioteca Nacional brasi-leira que, hoje, pode ser considerada como a maior instituição nacional que preza pela preservação do patrimônio bibliográfico e documental do Brasil. Contando com um acervo estimado em mais de dez milhões de itens, é considerada pela Organiza-ção das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) como a oita-va maior biblioteca nacional do mundo e a maior da América Latina. Com a Lei do Depósito Legal nº 10.994/2004, a Fundação Biblioteca Nacional (FBN) tem a garan-tia de receber ao menos um exemplar de tudo o que é publicado no país, e, além de registrar e guardar a produção cultural nacional, bem como a elaboração e divulga-ção da Bibliografia Brasileira, também atua como Agência Nacional do ISBN (Inter-national Standard Book Number), atribuindo códigos às editoras e publicações naci-onais, e coordenando sua divulgações e comercialização (Enciclopédia Itaú Cultural, 2018). O Catálogo do Patrimônio Bibliográfico Nacional (CPBN) sofreu um crescimento tão grande, que sua antiga base acabou por não ser mais capaz de comportá-lo, fazendo necessária a migração para uma nova plataforma especialmente construída na Rede Memória Virtual Brasileira: a chamada BN Digital, que, além de abrigar os registros já existentes à época de sua criação, também proporcionou a expansão do CPBN com recursos auxiliares que facultam até mesmo a inclusão de imagens digi-tais (Pereira, 2020). Destarte, ao ver de que a BN Digital se tornou parte da institui-ção no quesito de armazenar as informações de catalogação do acervo, bem como as obras disponíveis para consulta digital, o presente artigo tem por objetivo valorar os dados sobre a quantidade de obras digitalizadas e acrescidas ao catálogo da BN Digital, entre os anos de 2019 e 2022.

1.1 Questão-chave

Que tipos de obras passaram pelo processo de curadoria digital, na BN Digital entre 2019 e 2022? É possível identificar qual foi a quantidade exata registrada no catálogo?

1.2 Metodologia

Para a pesquisa, foi utilizada a abordagem quantitativa. A partir de uma vistoria dos dados oferecidos pela própria FBN, através da página de Dados Abertos no site ofi-cial do Governo Federal do Brasil, foram selecionadas, das tabelas de materiais bi-bliográficos — que contêm informações desde nomes de obras até número de cha-mada —, listas precisas de tipos de materiais digitalizados e suas quantidades. Para tal, foi feita um transunto desses dados para gráficos, descrevendo-se os números exatos de obras registradas entre 2019 e 2022, e fazendo-se uma análise compara-tiva de números entre esses quatro anos.

2 Desenvolvimento

2.1 Coleta

Para obter os dados, foi necessário verificar, uma a uma, as tabelas de dados dis-ponibilizadas no site do Governo Federal. Os arquivos abrangem inúmeras informa-ções acerca das obras bibliográficas, porém, para fins de análise objetiva referente às remessas contidas no catálogo digital, optou-se por imposição de um limite ape-nas para os tipos e quantidade de materiais digitalizados, pois os registros dos no-mes das obras, volumes, edições etc. não faziam parte do objetivo da pesquisa, ainda que tais dados também tenham grande relevância. Logo, selecionou-se as colunas das tabelas que apresentavam os tipos de obras e as quantidades referen-tes para cada ano.

2.2 Análise

Ao analisar-se o gráfico 1, pode-se verificar que foram 10 tipos de obras bibliográfi-cas digitalizadas ao acervo digital entre os anos de 2019 e 2022. Para o primeiro ano, os periódicos compuseram as maiores remessas, com 1003 exemplares digita-lizados. Pelos três anos seguintes, consecutivamente, o número de manuscritos su-perou os demais, com 715, 290 e 1006 exemplares para esses anos, respectiva-mente. Logo mais, como pode-se ver no gráfico 2, até 2021, os periódicos somavam o maior número de obras com 1765 exemplares, sendo ultrapassado em 2022 pelos manuscritos, que acabaram por ser a maior taxa de obras bibliográficas compondo o catálogo ao fim dos quatro anos, com um total de 2509 exemplares registrados. Os periódicos somaram 1785 exemplares, e os livros, 1426 exemplares. É importante deixar claro que, para esses números, optou-se por contar os títulos e exemplares repetidos, pois o objetivo foi apresentar não a quantidade de títulos, mas de obras por tipos.

3 Desdobramentos

É de suma importância estudar esses dados, especialmente tendo em vista a inicia-tiva e cuidado que a Fundação Biblioteca Nacional teve de levantá-los e disponibilizá-los ao público através do Governo Federal. A FBN preserva o patrimônio bibliográfi-co do país, e seu catálogo digital permitirá também a preservação de seu acervo para anos ainda longínquos. Certamente que, na era informacional, com grande vo-lume de dados sendo gerado a todo instante e em grande velocidade, o trabalho da FBN na digitalização de documentos históricos e culturais trazem novos desafios na digitalização do acervo. A viabilização desses dados que são propostos nas esferas de manipulação, armazenamento e processamento desses documentos, principal-mente nas áreas de base de dados, mineração de dados e recuperação da informa-ção, rotula que a FBN busca garantir que os dados permaneçam autênticos, confiá-veis e usáveis, ou seja, mantenham sua integridade. Considerando que as futuras gerações certamente farão uso desse patrimônio, vale evidenciar que, para além de dados quantitativos, é preciso fazer uma análise e divulgação dos dados qualitativos, isto é, dos títulos e obras disponíveis no acervo, quais podem ser consultadas diretamente pela rede e quais ainda precisam ser digi-talizadas, dentre outros. É, indubitavelmente, um trabalho árduo, que levará anos para ser completado, visto a gama informacional que deve ser levantada e repassa-da de maneira precisa e sem perdas, ao público. Todavia, pode vir a chegar o dia em que todo o acervo possível de ser digitalizado estará disponível na BN Digital para acesso por toda a população.

Figuras

  • Práticas de Curadoria Digital na Biblioteca Nacional Brasileira: preservação do patrimônio bibliográfico

  • Práticas de Curadoria Digital na Biblioteca Nacional Brasileira: preservação do patrimônio bibliográfico

Referências

BIBLIOTECA Nacional (BN). Atualizado em 09 out. 2018. Enciclopédia Itaú Cultu-ral. Disponível em: https://enciclopedia.itaucultural.org.br/instituicao109697/biblioteca-nacional-bn#. Acesso em: 14 nov. 2023.


BRASIL. Governo Federal. Dados Abertos. FBN: Acervo digitalizado e incorporado à BNDigital (periódicos). Atualizado em: 13 fev. 2023. [Brasília]: Governo Federal. Dis-ponível em: https://dados.gov.br/dados/conjuntos-dados/fbn-acervo-digitalizado-e-incorporado--bndigital-peridicos. Acesso em: 13 nov. 2023.


BRASIL. Governo Federal. Dados Abertos. FBN: Acervo digitalizado e incorporado à BNDigital (obras em geral). Atualizado em: 13 fev. 2023. [Brasília]: Governo Federal. Disponível em: https://dados.gov.br/dados/conjuntos-dados/fbn-acervo-digitalizado-e-incorporado--bndigital-peridicos. Acesso em: 13 nov. 2023.


FERREIRA, Miguel; SARAIVA, Ricardo; RODRIGUES, Eloy. Estado da arte em preservação digital. Braga: Universidade do Minho, 2012. Disponível em: https://hdl.handle.net/1822/17049. Acesso em: 27 nov. 2023.


PEREIRA, Silvia Fernandes. O catálogo do patrimônio bibliográfico nacional (CPBN). Memória e Informação, Rio de Janeiro, v. 4, n. 2, p. 223-239, 30 dez. 2020. Disponível em: https://memoriaeinformacao.casaruibarbosa.gov.br/index.php/fcrb/article/view/140. Acesso em: 14 nov. 2023.