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Revista Eletrônica sobre Acesso a Dados · eISSN 2763-7875

Analisando a vida pública das mulheres no norte do Brasil

Publicado em v. 4, n. 2 (2023)

Autores

  • Lais Gabriela Cavalcante Ferreira UFPA
  • Matheus Nunes Farias UFPA
  • Priscila Nazareth Moraes UFPA

Resumo

Este artigo tem como principal objetivo apresentar os desafios da participação de mulheres na vida pública, na condição de sujeito político e nos julgamentos diferenciados que sofrem, nas tomadas de decisões, em grandes cargos que ocupam em uma sociedade. Foram considerados dados relativos a cargos ocupados nos setores públicos e privados, e partidos políticos, sendo cientes dos complexos fatores que criam exclusão das mulheres do mundo público. Analisando também a quantidade de mulheres policiais, que sem nenhuma surpresa são minorias. Mesmo com o avanço da participação feminina em cargos de liderança, ainda se encontra uma quantidade muito inferior em comparação com os homens. Os dados coletados no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, para a elaboração desse trabalho estão relacionados a diferentes questões que dizem respeito as mulheres, principalmente a questão de equidade de gênero. Nesse processo histórico de desigualdades o estudo foi fundamentado teoricamente com as relações de poder e as vertentes de análise sobre o poder e as relações de gênero. Além disso, considerando que a desigualdade de gênero interage e se reconfigura a outros eixos de desigualdade, como aqueles relacionados à raça, escolaridade, situação financeira e geografia. Os dados confirmaram a necessidade e a importância desta pesquisa com o propósito de trazer informações mais claras, a realidade, para o desenvolvimento de políticas que possam nos mostrar e minimizar as desigualdades entre homens e mulheres no Norte do Brasil, bem como reconhecer as necessidades dessas mulheres e o seu papel em toda a sua diversidade dentro das instituições. Salientam as dificuldades com uma dupla jornada de trabalho e a resistência de subordinados à sua posição de líder.

Palavras-chave

DesigualdadeGêneroMulheres e Políticas públicas

Texto completo

1 Introdução

Na perspectiva de gênero no Norte do Brasil, a situação de desigualdade e discriminação em que vivem as mulheres, persiste e se reproduz, acarretando uma série de repercussões prejudiciais à igualdade de gênero e constituindo um lento desenvolvimento individual e da sociedade. Os resultados do Censo Demográfico 2022 apontam que o Brasil tem 6,0 milhões de mulheres a mais do que homens. A população brasileira é composta a 51,5% de mulheres e 48,5% de homens, da população residente no país. Em 2022, as mulheres são a maioria em todas as regiões do Brasil, a região Norte apresentou, pela primeira vez, uma população masculina menor do que a feminina, resultados obtidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE, 2022). Durante muito tempo, as diferenças em direitos humanos, educação, estruturas econômicas, saúde entre homens e mulheres, a vida pública e tomada de decisão, foram naturalizadas (IBGE, 2023). Mesmo depois de mais de 30 anos da criação pela Organização das Nações Unidas (ONU) da Convenção sobre a eliminação de todas as formas de discriminação contra a mulher (CEDAW), aprovada pelo Brasil, as mulheres continuam sendo a minoria em todos os âmbitos de poder, no meu acadêmico, no ministério público, no executivo, no legislativo e no judiciário. E quando as mulheres exercem essas funções são duramente julgadas (Pimentel, 2022). Nas desigualdades entre homens e mulheres, nos números relacionados à violência, no acesso ao trabalho ou nas remunerações, as mulheres se encontram em desvantagem, que acontecem por diversas razões, dentre elas a divisão sexual do trabalho, oportunidades e raça. Na vida pública e na tomada de decisão, o Brasil possui legislação que prevê cotas eleitorais, reservando um percentual de candidaturas em eleições proporcionais para as mulheres. Contudo, apenas com a Lei nº 12.034, de 29/09/2009, essas cotas tornaram-se obrigatórias, de modo que, em eleições proporcionais, haja no mínimo 30% e no máximo 70% de candidaturas de cada sexo, para cada partido ou coligação partidária. Estas desigualdades entre os sexos são moldadas ao longo da história das relações sociais, que vem mudando ao longo do tempo e em diferentes culturas. A presença de mulheres nas empresas e na área militar, em níveis hierárquicos cada vez mais altos abre espaço para a discussão, no ambiente dinâmico e competitivo do mercado de trabalho, em relação a diferença de remuneração entre homens e mulheres, que subiu no país e atingiu 22% no fim de 2022 (IBGE, 2022). Isso significa que uma brasileira recebe, em média, 78% do que ganha um homem. As desigualdades de gênero têm um contexto histórico de indicadores sociais que apontam que cor ou raça, ser pessoa com deficiência, morar em área rural ou urbana, entre outras exclusões, podem ter grandes impactos na vida das pessoas, reforçando as desigualdades. Esse estudo tem como objetivo discutir sobre as diferenças na vida pública e na tomada de decisão conforme o gênero dos sujeitos envolvidos e como são vistas de formas distintas as escolhas e realizações feitas.

1.1 Questão-chave

A questão que orienta a produção deste artigo é: de que forma se manifesta a persistência da desigualdade entre homens e mulheres no Brasil em cargos de trabalho e remuneração? Dessa forma na vida pública, tanto nos âmbitos governamentais quanto nas organizações privadas, observa-se a reprodução da desigualdade especialmente no que diz respeito às mulheres. A partir dos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), analisamos como as mulheres estão inseridas na vida pública no Norte do Brasil.

1.2 Metodologia

Trata-se de uma pesquisa exploratória, este trabalho buscará analisar os indicadores sociais das mulheres no Norte do Brasil. Utilizando artigos e sites da internet como fontes de informação. O material selecionado foi analisado criticamente, permitindo descrever e discutir as desigualdades de gênero, evidenciando as diferenças entre a carreira de homens e mulheres.

2 Desenvolvimento

2.1 Coleta

O processo de coleta de dados sobre a participação de mulheres e homens na vida pública na região Norte do Brasil foi conduzido utilizando fontes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A coleta abrangeu diversos métodos, incluindo Dados de Censo, Registros Administrativos, Dados de Pesquisa por Amostragem Probabilística, Indicadores, bem como Projeções e Estimativas Populacionais. A abordagem incluiu a aplicação de métodos estatísticos para consolidar os dados encontrados, permitindo uma análise abrangente da participação de gênero na vida pública da região. A soma dos valores obtidos a partir dessas diversas fontes contribuíram para uma visão mais completa e representativa dos padrões de participação de mulheres e homens em cargos públicos, processos eleitorais e órgãos de decisão no contexto específico do Norte do Brasil. A consolidação dos dados, obtida por meio da soma dos valores coletados, proporcionou uma compreensão abrangente da representação de mulheres e homens nos diferentes setores da vida pública. Essa metodologia, baseada em fontes confiáveis do IBGE, permitiu uma análise fundamentada, contribuindo para a compreensão mais profunda das dinâmicas de gênero na região Norte do Brasil.

2.2 Análise

A interpretação da análise da coleta de dados revela padrões distintos que demandam atenção. Ao examinar conjuntos de dados relacionados a cargos governamentais, participação em processos eleitorais e presença em órgãos de decisão, observamos uma notável desigualdade de representação das mulheres. Os números indicam uma sub-representação significativa das mulheres em posições de liderança e influência como no ano de 2020 em que as mulheres ocupavam apenas 14,7% da câmara de deputados e vereadores na região do Norte. Esta discrepância pode ser atribuída a fatores como estereótipos de gênero, barreiras culturais e desigualdades estruturais que permeiam a esfera pública. Os dados revelam não apenas a escassez de mulheres em cargos de destaque, mas também evidencia a necessidade de abordagens inclusivas e políticas que combatam essas diferenças. Além disso, essas discrepâncias também se entrelaçam com questões de raça e cor, ampliando as desigualdades. Quando adicionamos a dimensão racial e étnica a essa diversidade, as desigualdades se multiplicam. Mulheres pertencentes a grupos étnicos minoritários enfrentam barreiras adicionais, resultando em uma sub-representação significativa nos cargos públicos de alto escalonamento. Nos dados apresentados no ano de 2020, das 9.020 vereadoras, apenas 483 eram mulheres pretas, sendo as mulheres brancas maioria com 5.388. A junção dessas identidades — gênero, raça e cor — revela complexidades que excluem uma abordagem abrangente na busca por equidade. Em relação aos cargos da polícia militar e civil no Norte do país, no ano de 2019 percebesse que dos 52.178 cargos, 791 são mulheres. Da mesma forma a participação das mulheres nos cargos gerenciais, analisado na região do Norte em 2019 os homens ocupavam 62,4%, enquanto as mulheres 37,6%. Isso pode se dar ao fato das estruturas tradicionais masculinas, essas instituições historicamente desenvolveram barreiras para a inclusão de mulheres em cargas operacionais e de liderança, mas não só isso como também os estereótipos de gênero e a violência. Está análise da vida pública destaca a urgência de estratégias eficazes para promover a igualdade de gênero, fomentando a participação equitativa de mulheres e homens em todos os níveis de tomada de decisão e influência na sociedade.

3 Desdobramentos

Foi feita uma análise da situação das mulheres em diferentes áreas de poder e influência no Norte do Brasil. É evidente que as mulheres são uma minoria em cargos políticos, policiais e de gerência, o que reflete as desigualdades existentes na sociedade em relação a gênero, raça e cor. Vários fatores contribuem para essa falta de representatividade, como estereótipos de gênero, barreiras culturais e desigualdades estruturais que dificultam o acesso e a permanência das mulheres nessas esferas. As mulheres negras são ainda mais excluídas e discriminadas, pois enfrentam o racismo e o machismo simultaneamente, intensificando essas adversidades. É necessário adotar abordagens inclusivas e implementar políticas públicas para combater essas diferenças e promover a igualdade de gênero, raça e cor. Em nosso entendimento a pesquisa sobre gênero deve ser sempre presente para uma sociedade mais igualitária, para que a sociedade tenha uma percepção sobre a desigualdade encontrada em nossa comunidade e para um maior monitoramento do progresso ao longo do tempo em relação a igualdade de gênero, ao coletar dados regularmente é possível avaliar o impacto de políticas e programas destinados a promover a equidade. Servindo para sensibilizar a sociedade e na devesa de mudanças políticas e sociais.

Figuras

  • Analisando a vida pública das mulheres no norte do Brasil

  • Analisando a vida pública das mulheres no norte do Brasil

  • Analisando a vida pública das mulheres no norte do Brasil

Referências

AGÊNCIA BRASIL. Censo 2022: mulheres são maioria em todas as regiões pela primeira vez: Rio de Janeiro é o estado com menor proporção de homens do país. 2023. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2023-10/censo-2022-mulheres-sao-maioria-em-todas-regioes-pela-primeira-vez. Acesso: em 23 de nov. de 2023.


G1. Mulheres ganham em média 20,5% menos que homens no Brasil. 2022. Disponível em : https://g1.globo.com/dia-das-mulheres/noticia/2022/03/08/mulheres-ganham-em-media-205percent-menos-que-homens-no-brasil.ghtml. Acesso: em 22 de nov. de 2023.


IBGE EDUCA. Conheça o Brasil – População. Quantidade de Homens e Mulheres. 2023. Disponível em : https://educa.ibge.gov.br/jovens/conheca-o-brasil/populacao/18320-quantidade-de-homens-e-mulheres.html. Acesso: em 20 de nov. de 2023.


INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Estatísticas de Gênero - Indicadores sociais das mulheres no Brasil. 2022. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/multidominio/genero/20163-estatisticas-de-genero-indicadores-sociais-das-mulheres-no-brasil.html Acesso: em 25 de nov. de 2023.
SILVA, L. P. M. O. Brasil escola. O que é gráfico? [s.d.]. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/matematica/o-que-e-grafico.htm Acesso: em 30 de nov de 2023.