Analisando a vida pública das mulheres no norte do BrasilAnalyzing the public life of women in northern BrazilAnalizando la vida pública de las mujeres en el norte de Brasil
Publicado em v. 4, n. 2 (2023)
Published in Vol. 4, No. 2 (2023)
Publicado en v. 4, n. 2 (2023)
AutoresAuthorsAutores
- Lais Gabriela Cavalcante Ferreira UFPA
- Matheus Nunes Farias UFPA
- Priscila Nazareth Moraes UFPA
ResumoAbstractResumen
Este artigo tem como principal objetivo apresentar os desafios da participação de mulheres na vida pública, na condição de sujeito político e nos julgamentos diferenciados que sofrem, nas tomadas de decisões, em grandes cargos que ocupam em uma sociedade. Foram considerados dados relativos a cargos ocupados nos setores públicos e privados, e partidos políticos, sendo cientes dos complexos fatores que criam exclusão das mulheres do mundo público. Analisando também a quantidade de mulheres policiais, que sem nenhuma surpresa são minorias. Mesmo com o avanço da participação feminina em cargos de liderança, ainda se encontra uma quantidade muito inferior em comparação com os homens. Os dados coletados no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, para a elaboração desse trabalho estão relacionados a diferentes questões que dizem respeito as mulheres, principalmente a questão de equidade de gênero. Nesse processo histórico de desigualdades o estudo foi fundamentado teoricamente com as relações de poder e as vertentes de análise sobre o poder e as relações de gênero. Além disso, considerando que a desigualdade de gênero interage e se reconfigura a outros eixos de desigualdade, como aqueles relacionados à raça, escolaridade, situação financeira e geografia. Os dados confirmaram a necessidade e a importância desta pesquisa com o propósito de trazer informações mais claras, a realidade, para o desenvolvimento de políticas que possam nos mostrar e minimizar as desigualdades entre homens e mulheres no Norte do Brasil, bem como reconhecer as necessidades dessas mulheres e o seu papel em toda a sua diversidade dentro das instituições. Salientam as dificuldades com uma dupla jornada de trabalho e a resistência de subordinados à sua posição de líder.
The main objective of this article is to present the challenges of women's participation in public life, in their condition as political subjects, and the differentiated judgments they suffer in decision-making in the high positions they occupy in a society. Data on positions held in the public and private sectors and in political parties were considered, with awareness of the complex factors that create the exclusion of women from the public world. The number of female police officers was also analyzed, who, unsurprisingly, are a minority. Even with the advance of female participation in leadership positions, their number is still much lower compared to men. The data collected from the Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística for the preparation of this work are related to different issues concerning women, especially the issue of gender equity. In this historical process of inequalities, the study was theoretically grounded in power relations and in the strands of analysis on power and gender relations. Furthermore, it considers that gender inequality interacts with and is reconfigured by other axes of inequality, such as those related to race, education, financial situation, and geography. The data confirmed the need for and importance of this research, with the purpose of providing clearer information, the reality, for the development of policies that can show us and minimize the inequalities between men and women in the North of Brazil, as well as recognize the needs of these women and their role in all their diversity within institutions. They highlight the difficulties of a double work shift and the resistance of subordinates to their position as leaders.
Este artículo tiene como principal objetivo presentar los desafíos de la participación de las mujeres en la vida pública, en su condición de sujeto político, y los juicios diferenciados que sufren en la toma de decisiones, en los altos cargos que ocupan en una sociedad. Se consideraron datos relativos a cargos ocupados en los sectores público y privado, y en partidos políticos, con conciencia de los complejos factores que generan la exclusión de las mujeres del mundo público. Se analizó también la cantidad de mujeres policías, que, sin ninguna sorpresa, son minoría. Aun con el avance de la participación femenina en cargos de liderazgo, todavía se encuentra una cantidad muy inferior en comparación con los hombres. Los datos recolectados en el Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística para la elaboración de este trabajo están relacionados con diferentes cuestiones que conciernen a las mujeres, principalmente la cuestión de la equidad de género. En este proceso histórico de desigualdades, el estudio se fundamentó teóricamente en las relaciones de poder y en las vertientes de análisis sobre el poder y las relaciones de género. Además, considera que la desigualdad de género interactúa con otros ejes de desigualdad y se reconfigura en relación con ellos, como aquellos relacionados con la raza, la escolaridad, la situación financiera y la geografía. Los datos confirmaron la necesidad y la importancia de esta investigación con el propósito de aportar información más clara, la realidad, para el desarrollo de políticas que puedan mostrarnos y minimizar las desigualdades entre hombres y mujeres en el Norte de Brasil, así como reconocer las necesidades de estas mujeres y su papel en toda su diversidad dentro de las instituciones. Destacan las dificultades de una doble jornada laboral y la resistencia de los subordinados a su posición de líder.
Palavras-chave
Keywords
Palabras clave
Texto completoFull textTexto completo
1 Introdução
Na perspectiva de gênero no Norte do Brasil, a situação de desigualdade e discriminação em que vivem as mulheres, persiste e se reproduz, acarretando uma série de repercussões prejudiciais à igualdade de gênero e constituindo um lento desenvolvimento individual e da sociedade. Os resultados do Censo Demográfico 2022 apontam que o Brasil tem 6,0 milhões de mulheres a mais do que homens. A população brasileira é composta a 51,5% de mulheres e 48,5% de homens, da população residente no país. Em 2022, as mulheres são a maioria em todas as regiões do Brasil, a região Norte apresentou, pela primeira vez, uma população masculina menor do que a feminina, resultados obtidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE, 2022). Durante muito tempo, as diferenças em direitos humanos, educação, estruturas econômicas, saúde entre homens e mulheres, a vida pública e tomada de decisão, foram naturalizadas (IBGE, 2023). Mesmo depois de mais de 30 anos da criação pela Organização das Nações Unidas (ONU) da Convenção sobre a eliminação de todas as formas de discriminação contra a mulher (CEDAW), aprovada pelo Brasil, as mulheres continuam sendo a minoria em todos os âmbitos de poder, no meu acadêmico, no ministério público, no executivo, no legislativo e no judiciário. E quando as mulheres exercem essas funções são duramente julgadas (Pimentel, 2022). Nas desigualdades entre homens e mulheres, nos números relacionados à violência, no acesso ao trabalho ou nas remunerações, as mulheres se encontram em desvantagem, que acontecem por diversas razões, dentre elas a divisão sexual do trabalho, oportunidades e raça. Na vida pública e na tomada de decisão, o Brasil possui legislação que prevê cotas eleitorais, reservando um percentual de candidaturas em eleições proporcionais para as mulheres. Contudo, apenas com a Lei nº 12.034, de 29/09/2009, essas cotas tornaram-se obrigatórias, de modo que, em eleições proporcionais, haja no mínimo 30% e no máximo 70% de candidaturas de cada sexo, para cada partido ou coligação partidária. Estas desigualdades entre os sexos são moldadas ao longo da história das relações sociais, que vem mudando ao longo do tempo e em diferentes culturas. A presença de mulheres nas empresas e na área militar, em níveis hierárquicos cada vez mais altos abre espaço para a discussão, no ambiente dinâmico e competitivo do mercado de trabalho, em relação a diferença de remuneração entre homens e mulheres, que subiu no país e atingiu 22% no fim de 2022 (IBGE, 2022). Isso significa que uma brasileira recebe, em média, 78% do que ganha um homem. As desigualdades de gênero têm um contexto histórico de indicadores sociais que apontam que cor ou raça, ser pessoa com deficiência, morar em área rural ou urbana, entre outras exclusões, podem ter grandes impactos na vida das pessoas, reforçando as desigualdades. Esse estudo tem como objetivo discutir sobre as diferenças na vida pública e na tomada de decisão conforme o gênero dos sujeitos envolvidos e como são vistas de formas distintas as escolhas e realizações feitas.
1.1 Questão-chave
A questão que orienta a produção deste artigo é: de que forma se manifesta a persistência da desigualdade entre homens e mulheres no Brasil em cargos de trabalho e remuneração? Dessa forma na vida pública, tanto nos âmbitos governamentais quanto nas organizações privadas, observa-se a reprodução da desigualdade especialmente no que diz respeito às mulheres. A partir dos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), analisamos como as mulheres estão inseridas na vida pública no Norte do Brasil.
1.2 Metodologia
Trata-se de uma pesquisa exploratória, este trabalho buscará analisar os indicadores sociais das mulheres no Norte do Brasil. Utilizando artigos e sites da internet como fontes de informação. O material selecionado foi analisado criticamente, permitindo descrever e discutir as desigualdades de gênero, evidenciando as diferenças entre a carreira de homens e mulheres.
2 Desenvolvimento
2.1 Coleta
O processo de coleta de dados sobre a participação de mulheres e homens na vida pública na região Norte do Brasil foi conduzido utilizando fontes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A coleta abrangeu diversos métodos, incluindo Dados de Censo, Registros Administrativos, Dados de Pesquisa por Amostragem Probabilística, Indicadores, bem como Projeções e Estimativas Populacionais. A abordagem incluiu a aplicação de métodos estatísticos para consolidar os dados encontrados, permitindo uma análise abrangente da participação de gênero na vida pública da região. A soma dos valores obtidos a partir dessas diversas fontes contribuíram para uma visão mais completa e representativa dos padrões de participação de mulheres e homens em cargos públicos, processos eleitorais e órgãos de decisão no contexto específico do Norte do Brasil. A consolidação dos dados, obtida por meio da soma dos valores coletados, proporcionou uma compreensão abrangente da representação de mulheres e homens nos diferentes setores da vida pública. Essa metodologia, baseada em fontes confiáveis do IBGE, permitiu uma análise fundamentada, contribuindo para a compreensão mais profunda das dinâmicas de gênero na região Norte do Brasil.
2.2 Análise
A interpretação da análise da coleta de dados revela padrões distintos que demandam atenção. Ao examinar conjuntos de dados relacionados a cargos governamentais, participação em processos eleitorais e presença em órgãos de decisão, observamos uma notável desigualdade de representação das mulheres. Os números indicam uma sub-representação significativa das mulheres em posições de liderança e influência como no ano de 2020 em que as mulheres ocupavam apenas 14,7% da câmara de deputados e vereadores na região do Norte. Esta discrepância pode ser atribuída a fatores como estereótipos de gênero, barreiras culturais e desigualdades estruturais que permeiam a esfera pública. Os dados revelam não apenas a escassez de mulheres em cargos de destaque, mas também evidencia a necessidade de abordagens inclusivas e políticas que combatam essas diferenças. Além disso, essas discrepâncias também se entrelaçam com questões de raça e cor, ampliando as desigualdades. Quando adicionamos a dimensão racial e étnica a essa diversidade, as desigualdades se multiplicam. Mulheres pertencentes a grupos étnicos minoritários enfrentam barreiras adicionais, resultando em uma sub-representação significativa nos cargos públicos de alto escalonamento. Nos dados apresentados no ano de 2020, das 9.020 vereadoras, apenas 483 eram mulheres pretas, sendo as mulheres brancas maioria com 5.388. A junção dessas identidades — gênero, raça e cor — revela complexidades que excluem uma abordagem abrangente na busca por equidade. Em relação aos cargos da polícia militar e civil no Norte do país, no ano de 2019 percebesse que dos 52.178 cargos, 791 são mulheres. Da mesma forma a participação das mulheres nos cargos gerenciais, analisado na região do Norte em 2019 os homens ocupavam 62,4%, enquanto as mulheres 37,6%. Isso pode se dar ao fato das estruturas tradicionais masculinas, essas instituições historicamente desenvolveram barreiras para a inclusão de mulheres em cargas operacionais e de liderança, mas não só isso como também os estereótipos de gênero e a violência. Está análise da vida pública destaca a urgência de estratégias eficazes para promover a igualdade de gênero, fomentando a participação equitativa de mulheres e homens em todos os níveis de tomada de decisão e influência na sociedade.
3 Desdobramentos
Foi feita uma análise da situação das mulheres em diferentes áreas de poder e influência no Norte do Brasil. É evidente que as mulheres são uma minoria em cargos políticos, policiais e de gerência, o que reflete as desigualdades existentes na sociedade em relação a gênero, raça e cor. Vários fatores contribuem para essa falta de representatividade, como estereótipos de gênero, barreiras culturais e desigualdades estruturais que dificultam o acesso e a permanência das mulheres nessas esferas. As mulheres negras são ainda mais excluídas e discriminadas, pois enfrentam o racismo e o machismo simultaneamente, intensificando essas adversidades. É necessário adotar abordagens inclusivas e implementar políticas públicas para combater essas diferenças e promover a igualdade de gênero, raça e cor. Em nosso entendimento a pesquisa sobre gênero deve ser sempre presente para uma sociedade mais igualitária, para que a sociedade tenha uma percepção sobre a desigualdade encontrada em nossa comunidade e para um maior monitoramento do progresso ao longo do tempo em relação a igualdade de gênero, ao coletar dados regularmente é possível avaliar o impacto de políticas e programas destinados a promover a equidade. Servindo para sensibilizar a sociedade e na devesa de mudanças políticas e sociais.
1 Introduction
From a gender perspective in the North of Brazil, the situation of inequality and discrimination in which women live persists and is reproduced, causing a series of harmful repercussions for gender equality and constituting a slow development of both the individual and society. The results of the 2022 Demographic Census indicate that Brazil has 6.0 million more women than men. The Brazilian population residing in the country is composed of 51.5% women and 48.5% men. In 2022, women are the majority in all regions of Brazil; the North region presented, for the first time, a male population smaller than the female population, according to results obtained by the Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE, 2022). For a long time, the differences between men and women in human rights, education, economic structures, health, public life, and decision-making were naturalized (IBGE, 2023). Even after more than 30 years since the creation by the United Nations (UN) of the Convention on the Elimination of All Forms of Discrimination against Women (CEDAW), approved by Brazil, women continue to be the minority in all spheres of power: in academia, in the public prosecution service, in the executive, in the legislature, and in the judiciary. And when women perform these functions, they are harshly judged (Pimentel, 2022). In the inequalities between men and women, in the figures related to violence, in access to work, or in remuneration, women find themselves at a disadvantage, which occurs for various reasons, among them the sexual division of labor, opportunities, and race. In public life and decision-making, Brazil has legislation that provides for electoral quotas, reserving a percentage of candidacies in proportional elections for women. However, only with Law No. 12,034, of 29/09/2009, did these quotas become mandatory, so that, in proportional elections, there is a minimum of 30% and a maximum of 70% of candidacies of each sex, for each party or party coalition. These inequalities between the sexes have been shaped throughout the history of social relations, which has been changing over time and across different cultures. The presence of women in companies and in the military, at increasingly higher hierarchical levels, opens space for discussion, in the dynamic and competitive environment of the labor market, regarding the pay gap between men and women, which has risen in the country and reached 22% at the end of 2022 (IBGE, 2022). This means that a Brazilian woman earns, on average, 78% of what a man earns. Gender inequalities have a historical context of social indicators showing that color or race, being a person with a disability, living in a rural or urban area, among other exclusions, can have major impacts on people's lives, reinforcing inequalities. This study aims to discuss the differences in public life and decision-making according to the gender of the subjects involved, and how the choices made and achievements attained are viewed in distinct ways.
1.1 Key question
The question guiding the production of this article is: how does the persistence of inequality between men and women in Brazil manifest itself in job positions and remuneration? Thus, in public life, both in governmental spheres and in private organizations, the reproduction of inequality is observed, especially with regard to women. Based on data from the Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), we analyze how women are integrated into public life in the North of Brazil.
1.2 Methodology
This is exploratory research; this work will seek to analyze the social indicators of women in the North of Brazil, using articles and internet websites as sources of information. The selected material was critically analyzed, making it possible to describe and discuss gender inequalities, highlighting the differences between the careers of men and women.
2 Development
2.1 Data collection
The process of collecting data on the participation of women and men in public life in the North region of Brazil was conducted using sources from the Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). The collection encompassed various methods, including Census Data, Administrative Records, Probability Sample Survey Data, Indicators, as well as Population Projections and Estimates. The approach included the application of statistical methods to consolidate the data found, enabling a comprehensive analysis of gender participation in public life in the region. The sum of the values obtained from these various sources contributed to a more complete and representative view of the patterns of participation of women and men in public office, electoral processes, and decision-making bodies in the specific context of the North of Brazil. The consolidation of the data, obtained by summing the collected values, provided a comprehensive understanding of the representation of women and men in the different sectors of public life. This methodology, based on reliable IBGE sources, enabled a well-grounded analysis, contributing to a deeper understanding of gender dynamics in the North region of Brazil.
2.2 Analysis
The interpretation of the analysis of the data collection reveals distinct patterns that demand attention. When examining data sets related to government positions, participation in electoral processes, and presence in decision-making bodies, we observe a notable inequality in the representation of women. The figures indicate a significant underrepresentation of women in positions of leadership and influence, as in 2020, when women made up only 14.7% of the chamber of deputies and city councilors in the North region. This discrepancy can be attributed to factors such as gender stereotypes, cultural barriers, and structural inequalities that permeate the public sphere. The data reveal not only the scarcity of women in prominent positions but also highlight the need for inclusive approaches and policies that combat these differences. Moreover, these discrepancies are also intertwined with issues of race and color, amplifying inequalities. When we add the racial and ethnic dimension to this diversity, inequalities multiply. Women belonging to minority ethnic groups face additional barriers, resulting in a significant underrepresentation in high-ranking public positions. In the data presented for 2020, of the 9,020 female city councilors, only 483 were Black women, with white women being the majority at 5,388. The combination of these identities — gender, race, and color — reveals complexities that exclude a comprehensive approach in the pursuit of equity. Regarding positions in the military and civil police in the North of the country, in 2019 it can be seen that, of the 52,178 positions, 791 are held by women. Likewise, regarding the participation of women in managerial positions, analyzed in the North region in 2019, men occupied 62.4%, while women occupied 37.6%. This may be due to traditional male structures; these institutions have historically developed barriers to the inclusion of women in operational and leadership positions, and not only that, but also to gender stereotypes and violence. This analysis of public life highlights the urgency of effective strategies to promote gender equality, fostering the equitable participation of women and men at all levels of decision-making and influence in society.
3 Further developments
An analysis was made of the situation of women in different areas of power and influence in the North of Brazil. It is evident that women are a minority in political, police, and managerial positions, which reflects the inequalities existing in society in relation to gender, race, and color. Several factors contribute to this lack of representation, such as gender stereotypes, cultural barriers, and structural inequalities that hinder women's access to and permanence in these spheres. Black women are even more excluded and discriminated against, as they face racism and sexism simultaneously, intensifying these adversities. It is necessary to adopt inclusive approaches and implement public policies to combat these differences and promote gender, race, and color equality. In our understanding, research on gender should always be present for a more egalitarian society, so that society has a perception of the inequality found in our community and for greater monitoring of progress over time regarding gender equality; by collecting data regularly, it is possible to assess the impact of policies and programs aimed at promoting equity. This serves to raise society's awareness and to advocate for political and social changes.
1 Introducción
Desde la perspectiva de género en el Norte de Brasil, la situación de desigualdad y discriminación en la que viven las mujeres persiste y se reproduce, lo que acarrea una serie de repercusiones perjudiciales para la igualdad de género y constituye un lento desarrollo individual y de la sociedad. Los resultados del Censo Demográfico 2022 señalan que Brasil tiene 6,0 millones de mujeres más que hombres. La población brasileña residente en el país está compuesta en un 51,5% por mujeres y en un 48,5% por hombres. En 2022, las mujeres son mayoría en todas las regiones de Brasil; la región Norte presentó, por primera vez, una población masculina menor que la femenina, según resultados obtenidos por el Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE, 2022). Durante mucho tiempo, las diferencias entre hombres y mujeres en derechos humanos, educación, estructuras económicas, salud, vida pública y toma de decisiones fueron naturalizadas (IBGE, 2023). Aun después de más de 30 años de la creación, por parte de la Organización de las Naciones Unidas (ONU), de la Convención sobre la eliminación de todas las formas de discriminación contra la mujer (CEDAW), aprobada por Brasil, las mujeres siguen siendo minoría en todos los ámbitos de poder: en el medio académico, en el ministerio público, en el ejecutivo, en el legislativo y en el judicial. Y cuando las mujeres ejercen esas funciones, son duramente juzgadas (Pimentel, 2022). En las desigualdades entre hombres y mujeres, en las cifras relacionadas con la violencia, en el acceso al trabajo o en las remuneraciones, las mujeres se encuentran en desventaja, lo que ocurre por diversas razones, entre ellas la división sexual del trabajo, las oportunidades y la raza. En la vida pública y en la toma de decisiones, Brasil cuenta con una legislación que prevé cuotas electorales, reservando un porcentaje de candidaturas en elecciones proporcionales para las mujeres. Sin embargo, solo con la Ley n.º 12.034, de 29/09/2009, estas cuotas se volvieron obligatorias, de modo que, en elecciones proporcionales, haya como mínimo un 30% y como máximo un 70% de candidaturas de cada sexo, para cada partido o coalición partidaria. Estas desigualdades entre los sexos se han moldeado a lo largo de la historia de las relaciones sociales, que ha venido cambiando con el tiempo y en diferentes culturas. La presencia de mujeres en las empresas y en el área militar, en niveles jerárquicos cada vez más altos, abre espacio para la discusión, en el entorno dinámico y competitivo del mercado laboral, en relación con la diferencia de remuneración entre hombres y mujeres, que aumentó en el país y alcanzó el 22% a fines de 2022 (IBGE, 2022). Esto significa que una brasileña recibe, en promedio, el 78% de lo que gana un hombre. Las desigualdades de género tienen un contexto histórico de indicadores sociales que señalan que el color o la raza, ser una persona con discapacidad, vivir en un área rural o urbana, entre otras exclusiones, pueden tener grandes impactos en la vida de las personas, lo que refuerza las desigualdades. Este estudio tiene como objetivo discutir las diferencias en la vida pública y en la toma de decisiones según el género de los sujetos involucrados y cómo se ven de formas distintas las elecciones y las realizaciones llevadas a cabo.
1.1 Pregunta clave
La pregunta que orienta la producción de este artículo es: ¿de qué forma se manifiesta la persistencia de la desigualdad entre hombres y mujeres en Brasil en los cargos de trabajo y en la remuneración? De este modo, en la vida pública, tanto en los ámbitos gubernamentales como en las organizaciones privadas, se observa la reproducción de la desigualdad, especialmente en lo que respecta a las mujeres. A partir de los datos del Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), analizamos cómo las mujeres están insertas en la vida pública en el Norte de Brasil.
1.2 Metodología
Se trata de una investigación exploratoria; este trabajo buscará analizar los indicadores sociales de las mujeres en el Norte de Brasil, utilizando artículos y sitios de internet como fuentes de información. El material seleccionado fue analizado críticamente, lo que permitió describir y discutir las desigualdades de género, evidenciando las diferencias entre la carrera de hombres y mujeres.
2 Desarrollo
2.1 Recolección de datos
El proceso de recolección de datos sobre la participación de mujeres y hombres en la vida pública en la región Norte de Brasil se llevó a cabo utilizando fuentes del Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). La recolección abarcó diversos métodos, incluidos Datos de Censo, Registros Administrativos, Datos de Encuestas por Muestreo Probabilístico, Indicadores, así como Proyecciones y Estimaciones Poblacionales. El enfoque incluyó la aplicación de métodos estadísticos para consolidar los datos encontrados, lo que permitió un análisis amplio de la participación de género en la vida pública de la región. La suma de los valores obtenidos a partir de estas diversas fuentes contribuyó a una visión más completa y representativa de los patrones de participación de mujeres y hombres en cargos públicos, procesos electorales y órganos de decisión en el contexto específico del Norte de Brasil. La consolidación de los datos, obtenida mediante la suma de los valores recolectados, proporcionó una comprensión amplia de la representación de mujeres y hombres en los diferentes sectores de la vida pública. Esta metodología, basada en fuentes confiables del IBGE, permitió un análisis fundamentado y contribuyó a una comprensión más profunda de las dinámicas de género en la región Norte de Brasil.
2.2 Análisis
La interpretación del análisis de la recolección de datos revela patrones distintos que demandan atención. Al examinar conjuntos de datos relacionados con cargos gubernamentales, participación en procesos electorales y presencia en órganos de decisión, observamos una notable desigualdad de representación de las mujeres. Las cifras indican una subrepresentación significativa de las mujeres en posiciones de liderazgo e influencia, como en el año 2020, en el que las mujeres ocupaban apenas el 14,7% de la cámara de diputados y concejales en la región Norte. Esta discrepancia puede atribuirse a factores como estereotipos de género, barreras culturales y desigualdades estructurales que permean la esfera pública. Los datos revelan no solo la escasez de mujeres en cargos destacados, sino que también evidencian la necesidad de enfoques inclusivos y políticas que combatan estas diferencias. Además, estas discrepancias también se entrelazan con cuestiones de raza y color, lo que amplía las desigualdades. Cuando añadimos la dimensión racial y étnica a esta diversidad, las desigualdades se multiplican. Las mujeres pertenecientes a grupos étnicos minoritarios enfrentan barreras adicionales, lo que resulta en una subrepresentación significativa en los cargos públicos de alto rango. En los datos presentados en el año 2020, de las 9.020 concejalas, apenas 483 eran mujeres negras, y las mujeres blancas eran mayoría, con 5.388. La conjunción de estas identidades — género, raza y color — revela complejidades que excluyen un enfoque amplio en la búsqueda de la equidad. En relación con los cargos de la policía militar y civil en el Norte del país, en el año 2019 se percibe que, de los 52.178 cargos, 791 son ocupados por mujeres. Del mismo modo, en cuanto a la participación de las mujeres en los cargos gerenciales, analizada en la región Norte en 2019, los hombres ocupaban el 62,4%, mientras que las mujeres, el 37,6%. Esto puede deberse a las estructuras tradicionales masculinas; estas instituciones desarrollaron históricamente barreras para la inclusión de mujeres en cargos operativos y de liderazgo, pero no solo eso, sino también a los estereotipos de género y a la violencia. Este análisis de la vida pública destaca la urgencia de estrategias eficaces para promover la igualdad de género, fomentando la participación equitativa de mujeres y hombres en todos los niveles de toma de decisiones e influencia en la sociedad.
3 Desarrollos posteriores
Se realizó un análisis de la situación de las mujeres en diferentes áreas de poder e influencia en el Norte de Brasil. Es evidente que las mujeres son minoría en cargos políticos, policiales y gerenciales, lo que refleja las desigualdades existentes en la sociedad en relación con el género, la raza y el color. Varios factores contribuyen a esta falta de representatividad, como los estereotipos de género, las barreras culturales y las desigualdades estructurales que dificultan el acceso y la permanencia de las mujeres en estas esferas. Las mujeres negras son aún más excluidas y discriminadas, pues enfrentan el racismo y el machismo simultáneamente, lo que intensifica estas adversidades. Es necesario adoptar enfoques inclusivos e implementar políticas públicas para combatir estas diferencias y promover la igualdad de género, raza y color. A nuestro entender, la investigación sobre género debe estar siempre presente para una sociedad más igualitaria, para que la sociedad tenga una percepción de la desigualdad presente en nuestra comunidad y para un mayor seguimiento del progreso a lo largo del tiempo en relación con la igualdad de género; al recolectar datos regularmente, es posible evaluar el impacto de políticas y programas destinados a promover la equidad. Esto sirve para sensibilizar a la sociedad y para defender cambios políticos y sociales.
FigurasFiguresFiguras
-
Analisando a vida pública das mulheres no norte do Brasil
Analyzing the public life of women in northern Brazil
Analizando la vida pública de las mujeres en el norte de Brasil
-
Analisando a vida pública das mulheres no norte do Brasil
Analyzing the public life of women in northern Brazil
Analizando la vida pública de las mujeres en el norte de Brasil
-
Analisando a vida pública das mulheres no norte do Brasil
Analyzing the public life of women in northern Brazil
Analizando la vida pública de las mujeres en el norte de Brasil
ReferênciasReferencesReferencias
AGÊNCIA BRASIL. Censo 2022: mulheres são maioria em todas as regiões pela primeira vez: Rio de Janeiro é o estado com menor proporção de homens do país. 2023. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2023-10/censo-2022-mulheres-sao-maioria-em-todas-regioes-pela-primeira-vez. Acesso: em 23 de nov. de 2023.
G1. Mulheres ganham em média 20,5% menos que homens no Brasil. 2022. Disponível em : https://g1.globo.com/dia-das-mulheres/noticia/2022/03/08/mulheres-ganham-em-media-205percent-menos-que-homens-no-brasil.ghtml. Acesso: em 22 de nov. de 2023.
IBGE EDUCA. Conheça o Brasil – População. Quantidade de Homens e Mulheres. 2023. Disponível em : https://educa.ibge.gov.br/jovens/conheca-o-brasil/populacao/18320-quantidade-de-homens-e-mulheres.html. Acesso: em 20 de nov. de 2023.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Estatísticas de Gênero - Indicadores sociais das mulheres no Brasil. 2022. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/multidominio/genero/20163-estatisticas-de-genero-indicadores-sociais-das-mulheres-no-brasil.html Acesso: em 25 de nov. de 2023.
SILVA, L. P. M. O. Brasil escola. O que é gráfico? [s.d.]. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/matematica/o-que-e-grafico.htm Acesso: em 30 de nov de 2023.