Análise da geração de empregos por influência da cultura do café na região da alta mogianaAnalysis of job creation influenced by coffee cultivation in the Alta Mogiana regionAnálisis de la generación de empleos por influencia del cultivo del café en la región de la Alta Mogiana
Publicado em v. 5, n. 1 (2024)
Published in Vol. 5, No. 1 (2024)
Publicado en v. 5, n. 1 (2024)
AutoresAuthorsAutores
- Gabriel Mongelos Maidana UNESP/Tupã
- Hellen Aparecida de Souza Pereira UNESP/Tupã
- Laís do Nascimento Santos UNESP/Tupã
- Pilar Casaletti Gonçalves de Souza UNESP/Tupã
- Thomas Carmona Pires UNESP/Tupã
ResumoAbstractResumen
A lenda de Kaldi sugere que a descoberta do café ocorreu na Etiópia em 850 d.C. No Brasil, o cultivo do café teve início em 1727, tornando o país o maior produtor e exportador mundial. A Alta Mogiana, com 120 mil hectares dedicados ao cultivo do café, destaca-se na produção de Coffea canephora e Coffea arabica, sendo fundamental para a economia local e gerando empregos formais e informais. O estudo analisou a geração de empregos na Alta Mogiana, utilizando dados de fontes acadêmicas e institutos de pesquisa. A mecanização da produção entre 2006 e 2017 reduziu em 36,3% o número de trabalhadores na região. Cidades como Pedregulho foram as mais afetadas. A modernização tecnológica continua a impactar negativamente a empregabilidade rural, exigindo adaptação econômica e políticas públicas para mitigar a vulnerabilidade social dos trabalhadores.
The legend of Kaldi suggests that the discovery of coffee occurred in Ethiopia in 850 AD. In Brazil, coffee cultivation began in 1727, making the country the world's largest producer and exporter. The Alta Mogiana, with 120 thousand hectares dedicated to coffee cultivation, stands out in the production of Coffea canephora and Coffea arabica, being fundamental to the local economy and generating formal and informal jobs. The study analyzed job creation in the Alta Mogiana, using data from academic sources and research institutes. The mechanization of production between 2006 and 2017 reduced the number of workers in the region by 36.3%. Cities such as Pedregulho were the most affected. Technological modernization continues to negatively impact rural employability, requiring economic adaptation and public policies to mitigate the social vulnerability of workers.
La leyenda de Kaldi sugiere que el descubrimiento del café ocurrió en Etiopía en el 850 d.C. En Brasil, el cultivo del café comenzó en 1727, lo que convirtió al país en el mayor productor y exportador mundial. La Alta Mogiana, con 120 mil hectáreas dedicadas al cultivo del café, se destaca en la producción de Coffea canephora y Coffea arabica, siendo fundamental para la economía local y generando empleos formales e informales. El estudio analizó la generación de empleos en la Alta Mogiana, utilizando datos de fuentes académicas e institutos de investigación. La mecanización de la producción entre 2006 y 2017 redujo en un 36,3% el número de trabajadores en la región. Ciudades como Pedregulho fueron las más afectadas. La modernización tecnológica continúa impactando negativamente la empleabilidad rural, lo que exige adaptación económica y políticas públicas para mitigar la vulnerabilidad social de los trabajadores.
Palavras-chave
Keywords
Palabras clave
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1 Introdução
Segundo a lenda de Kaldi, havia um pastor na Etiópia, durante o ano de 850 d.C, que percebeu que suas cabras ficavam mais enérgicas, após a ingestão de um fruto avermelhado, que posteriormente, descobriu-se ser a cereja do café. Já no Brasil, as primeiras mudas foram cultivadas em 1727, no norte do país, porém, não houve o desenvolvimento esperado devido ao clima da região, e foi somente na região sudeste, que o café se perpetuou como um grão de extrema importância econômica e agrícola. Dito isso, ao longo dos anos, o café se tornou um insumo que carrega consigo, grande notabilidade para a economia nacional e para as cidades em que há uma produção expressiva do produto citado. Além disso, o café figura o Brasil como maior produtor e exportador do grão. A região sudeste do país caracteriza-se como responsável por grande fatia da produção de café, principalmente das espécies Coffea canephora (ou connilon robusta) e Coffea arabica (café arábica). De forma mais direcionada, a região sudeste é responsável de forma anual, pela produção de 4,5 milhões de sacas de café em 200 mil hectares (PIAI, 2024) e a região da Alta Mogiana, que abrange 15 municípios, tem 120 mil dos 200 mil hectares da região sudeste. Com esse contexto, é possível observar que a região da Alta Mogiana tem uma grande relevância para com o desenvolvimento e crescimento da cultura do café. Além disso, essa região é tida como uma grande geradora de empregos informais e formais no mercado cafeeiro. A Alta Mogiana perpetua o trabalho de pequenos produtores familiares, que se tornam maioria na produção de café. Estes, têm pequenos espaços de terra, onde há o cultivo do grão, para que ao fim do processo produtivo, haja renda suficiente para o sustento da família. Outrossim, as colheitas e produções empresariais, contratam uma mão-de-obra barata, que pode ou não, ter especializações, mas, os trabalhadores constantemente têm experiência em lavouras de café. Em suma, a produção familiar e empresarial, contabilizadas juntas, geram um expressivo número de novos empregos na região da Alta Mogiana.
1.1 Questão-chave
Como está a geração de empregos por meio da cultura do café na região da Alta Mogiana?
1.2 Metodologia
A coleta de dados foi realizada por meio de fontes bibliográficas e pesquisa documental, com base em informações secundárias disponíveis em bancos de dados acadêmicos, tais como Scientific Electronic Library Online (SciELO) e Periódico da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), além de sites governamentais e portais especializados, a exemplo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Café (Embrapa Café) e do Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café (CBP&D/Café). Esses dados secundários desempenharam um papel fundamental ao fornecer um panorama prévio do tema, considerando as discussões já apresentadas por outros autores em estudos anteriores (Menezes, 2021). Com o intuito de obter uma compreensão abrangente do tema, optou-se pelo método exploratório. Aprofundando a análise, foram selecionados municípios representativos na Alta Mogiana, como Franca, Pedregulho e Patrocínio Paulista, como instrumentos de pesquisa.
2 Desenvolvimento
2.1 Coleta
Desde a chegada do café no Brasil, em 1727, este tem desempenhado um papel fundamental na geração de riquezas e no desenvolvimento econômico. Atualmente, o grão continua a ser um ator importante na economia brasileira, principalmente por ser responsável por uma parcela significativa das exportações do país, com um volume anual de cerca de 26 milhões de sacas, que resultam em aproximadamente US$2 bilhões em receita. Essa contribuição corresponde a mais de 2% do total das exportações brasileiras e representa mais de um terço da produção global. O setor cafeeiro é uma cultura ampla, que está em constante crescimento e que representa um mercado global que movimenta aproximadamente U$91 bilhões de dólares por ano, vendendo em média 115 milhões de sacas de café produzidas. Esse ramo engloba uma rede de cerca de meio bilhão de indivíduos, desde os produtores até os consumidores finais. O Brasil, que representou mais de 30% da produção global nas últimas colheitas, é responsável pela criação de mais de 8 milhões de postos de trabalho diretos e indiretos no país, sendo o segmento do agronegócio brasileiro com maior número de empregos. O progresso tecnológico na produção de café no Brasil está sendo impulsionado por organizações dedicadas à pesquisa e desenvolvimento, que agora estão reunidas sob a coordenação do Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café (CBP&D/Café), liderado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) por meio de sua filial, a Embrapa Café. Dito isso, a região da Alta Mogiana é composta por algumas cidades as quais contribuem para a produção de café. Entre elas, estão: Cristais Paulista, Franca, Itirapuã, Jeriquara, Patrocínio Paulista, Pedregulho, Restinga, Ribeirão Corrente e São José da Bela Vista. Segundo os dados disponibilizados pela CONBEA (Congresso Brasileiro de Engenharia Agrícola), entre os anos de 2006 e 2017, o número de trabalhadores inseridos na produção cafeeira dessas cidades foi prejudicado devido à mecanização da produção, entrada de novos equipamentos e maquinários, como colheitadeiras e tratores. A seguir, demonstram-se a quantidade de funcionários da produção cafeeira nos anos de 2006 e 2017, respectivamente, de cada cidade: Cristais Paulista (38 e 15), Franca (88 e 46), Itirapuã (6 e 4), Jeriquara (23 e 31), Patrocínio Paulista (13 e 4), Pedregulho 217 e 33), Restinga (33 e 9), Ribeirão Corrente (17 e 24) e São José da Bela Vista (36 e 5). Desta forma, destaca-se uma queda de aproximadamente 36,3% de trabalhadores neste intervalo em toda a região. A cidade de Pedregulho, por exemplo, foi a que mais perdeu trabalhadores em decorrência dessa situação, tendo um salto de 217 para 33 funcionários, o que totaliza uma perda de 184 pessoas. Além disso, ressalta-se que existe uma tendência em que os contratados para exercer funções colaborativas na produção são, em sua maioria, analfabetos e com faixa etária entre 50-64 anos. Os dados relacionados à idade dos trabalhadores justificam-se pela maior experiência dos indivíduos, o que pode servir para poupar esforços de treinamentos futuros para novos colaboradores, o que pode ser substituído por ensinamentos dos antigos trabalhadores de maneira informal.
2.2 Análise
O café no Brasil é uma cultura que desde a sua chegada empregou muitas pessoas, considerando brasileiros nativos e até mesmo imigrantes, estes principalmente durante a época das guerras mundiais. O avanço das tecnologias agrárias é uma realidade crescente que impactou não só a cultura do café, como muitas outras. Isso acontece desde o período que se iniciou o êxodo rural, por volta de 1960, onde os trabalhadores rurais deixam o campo por conta da mecanização da produção e vão buscar por empregos na cidade. É importante citar que a questão da empregabilidade sobre a produção do café não está somente atrelada ao ambiente de produção, mas sim à toda logística criada na região da Alta Mogiana para permitir a ascensão dessa commodity. Um exemplo disso é a criação de linhas férreas. Para que o café fosse escoado para o porto, principalmente na época do império, o principal meio de transporte eram as ferrovias, que percorriam toda a região da Mogiana desde Campinas até o estado de Minas Gerais. Essas linhas férreas permitiam a empregabilidade da população num contexto indiretamente relacionado ao café. Dessa forma, empregos nas áreas de construção, manutenção, operação de máquinas e operação de ferrovias surgiram como uma alternativa para a população da época. Entretanto, com o decorrer do tempo, o país deixou de investir em ferrovias para investir em rodovias, limitando consideravelmente a questão da empregabilidade para essa área. Conforme os dados apresentados na coleta, é possível observar que ainda hoje, há mais de 60 anos após o início do êxodo rural, a empregabilidade no campo segue em uma linha decrescente. É interessante interpretar que o trabalhador rural possui um perfil que não proporciona muitas oportunidades fora do campo, já que o profissional sem formação acadêmica e por vezes analfabeto não tem muitas opções de trabalho. Isso mostra que a mecanização do campo não é um fator exclusivamente produtivo, mas também humano, a partir do momento que coloca o trabalhador que depende disso em uma situação de vulnerabilidade social. Vale ressaltar que mesmo o café sendo um cultivo completamente atrelado à cultura brasileira, isso não significa que o seu retorno produtivo também esteja atrelado a um ganho para os brasileiros. Conforme citado, o café foi capaz de gerar US$2 bilhões em receita para o país, e mesmo assim os dados mostram em sua linha temporal de empregabilidade que o pequeno produtor que reside no país está cada vez mais desempregado. Para a região da Alta Mogiana, a redução dos empregos promovidos pelo cultivo dessa commodity muda a configuração econômica das cidades. De uma maneira gradual, as cidades que cresceram às margens da produção de café passam a ter que desenvolver sua área urbana de forma acelerada, já que a oferta de empregos deve acompanhar o crescimento da demanda. Um exemplo disso é a cidade de Franca, que em 2012 ganhou o selo oficial de capital nacional do calçado masculino de couro. Essa cidade, que é uma referência na produção do café da Alta Mogiana, a partir do momento histórico que contou com a diminuição da empregabilidade do campo, passou a aumentar a empregabilidade nas grandes indústrias de calçados, com a utilização do couro. Isso mostra um exemplo claro de um contexto social, atrelado ao trabalho, de como uma cidade pode se comportar ao sofrer com a diminuição da mão de obra em determinado setor produtivo agrícola.
3 Desdobramentos
Em suma, a partir da análise dos dados é possível prever o crescimento da situação atual de baixa empregabilidade para os trabalhadores inseridos no cultivo de café. A análise realista ressalta que essa situação já acontece há um tempo e conforme a mecanização do campo aumenta e se espalha, tende a continuar. Junto a isso, a realocação dos trabalhadores rurais também é um fator que deve se manter, encerrando um ciclo de êxodo rural nos próximos anos. Essa realocação continuará a promover nos próximos anos a mudança na configuração econômica das cidades, porém com uma velocidade mais devagar, já que a maior parte da mão de obra do café, já se realocou quando esse processo teve o seu início e seu auge por volta de 1980. Vale ressaltar que a mecanização no campo e nas plantações de café torna-se cada vez mais expressiva, por reduzir custos com a mão de obra terceirizada e por aumentar a produtividade das lavouras. Dessa forma, a região da Alta Mogiana, que ainda gera um notável número de novos empregos, poderá num futuro próximo, ser altamente prejudicado pelo crescimento de máquinas automatizadas que não dependem de mão de obra humana.
1 Introduction
According to the legend of Kaldi, there was a shepherd in Ethiopia, in the year 850 AD, who noticed that his goats became more energetic after eating a reddish fruit which, as was later discovered, was the coffee cherry. In Brazil, the first seedlings were cultivated in 1727, in the north of the country; however, the expected development did not occur due to the region's climate, and it was only in the Southeast region that coffee became established as a grain of utmost economic and agricultural importance. That said, over the years, coffee has become a commodity that carries great prominence for the national economy and for the cities in which there is significant production of this product. Furthermore, coffee places Brazil as the largest producer and exporter of the grain. The Southeast region of the country is responsible for a large share of coffee production, mainly of the species Coffea canephora (or connilon robusta) and Coffea arabica (arabica coffee). More specifically, the Southeast region is annually responsible for the production of 4.5 million bags of coffee on 200 thousand hectares (PIAI, 2024), and the Alta Mogiana region, which encompasses 15 municipalities, has 120 thousand of the 200 thousand hectares of the Southeast region. In this context, it is possible to observe that the Alta Mogiana region is highly relevant to the development and growth of coffee cultivation. In addition, this region is regarded as a major generator of informal and formal jobs in the coffee market. The Alta Mogiana sustains the work of small family producers, who constitute the majority in coffee production. These producers have small plots of land, where the grain is cultivated, so that, at the end of the production process, there is sufficient income to support the family. Likewise, corporate harvests and production operations hire cheap labor, which may or may not have specialized training, but the workers frequently have experience in coffee plantations. In short, family and corporate production, taken together, generate a significant number of new jobs in the Alta Mogiana region.
1.1 Key question
What is the state of job creation through coffee cultivation in the Alta Mogiana region?
1.2 Methodology
Data collection was carried out through bibliographic sources and documentary research, based on secondary information available in academic databases, such as Scientific Electronic Library Online (SciELO) and the Periódico da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), as well as government websites and specialized portals, such as the Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Café (Embrapa Café) and the Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café (CBP&D/Café). These secondary data played a fundamental role in providing a preliminary overview of the topic, considering the discussions already presented by other authors in previous studies (Menezes, 2021). In order to obtain a comprehensive understanding of the topic, the exploratory method was chosen. To deepen the analysis, representative municipalities in the Alta Mogiana, such as Franca, Pedregulho and Patrocínio Paulista, were selected as research instruments.
2 Development
2.1 Data collection
Since the arrival of coffee in Brazil, in 1727, it has played a fundamental role in wealth generation and economic development. Currently, the grain continues to be an important player in the Brazilian economy, mainly because it accounts for a significant share of the country's exports, with an annual volume of about 26 million bags, which result in approximately US$2 billion in revenue. This contribution corresponds to more than 2% of total Brazilian exports and represents more than one third of global production. The coffee sector is a broad crop, which is constantly growing and which represents a global market that moves approximately U$91 billion per year, selling on average 115 million bags of coffee produced. This sector encompasses a network of about half a billion individuals, from producers to final consumers. Brazil, which accounted for more than 30% of global production in recent harvests, is responsible for the creation of more than 8 million direct and indirect jobs in the country, being the segment of Brazilian agribusiness with the largest number of jobs. Technological progress in coffee production in Brazil is being driven by organizations dedicated to research and development, which are now brought together under the coordination of the Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café (CBP&D/Café), led by the Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) through its branch, Embrapa Café. That said, the Alta Mogiana region is composed of several cities that contribute to coffee production. Among them are: Cristais Paulista, Franca, Itirapuã, Jeriquara, Patrocínio Paulista, Pedregulho, Restinga, Ribeirão Corrente and São José da Bela Vista. According to data made available by CONBEA (Congresso Brasileiro de Engenharia Agrícola), between 2006 and 2017, the number of workers engaged in coffee production in these cities was adversely affected by the mechanization of production and the introduction of new equipment and machinery, such as harvesters and tractors. The number of coffee production employees in 2006 and 2017, respectively, in each city is shown below: Cristais Paulista (38 and 15), Franca (88 and 46), Itirapuã (6 and 4), Jeriquara (23 and 31), Patrocínio Paulista (13 and 4), Pedregulho 217 and 33), Restinga (33 and 9), Ribeirão Corrente (17 and 24) and São José da Bela Vista (36 and 5). Thus, a decrease of approximately 36.3% in the number of workers over this period stands out across the entire region. The city of Pedregulho, for example, was the one that lost the most workers as a result of this situation, dropping from 217 to 33 employees, which amounts to a loss of 184 people. Furthermore, it should be noted that there is a tendency for those hired to perform collaborative functions in production to be mostly illiterate and aged between 50-64 years. The data related to the workers' age are explained by the greater experience of these individuals, which may serve to save efforts on future training for new employees, since such training can be replaced by informal teaching from the older workers.
2.2 Analysis
Coffee in Brazil is a crop that, since its arrival, has employed many people, including native Brazilians and even immigrants, the latter mainly during the period of the world wars. The advancement of agricultural technologies is a growing reality that has impacted not only coffee cultivation but many other crops as well. This has been happening since the period in which the rural exodus began, around 1960, when rural workers left the countryside because of the mechanization of production and went to seek jobs in the city. It is important to mention that the issue of employability in coffee production is not only linked to the production environment, but rather to the entire logistics created in the Alta Mogiana region to enable the rise of this commodity. An example of this is the creation of railway lines. For coffee to be transported to the port, especially during the imperial period, the main means of transportation was the railways, which ran through the entire Mogiana region from Campinas to the state of Minas Gerais. These railway lines enabled the employment of the population in a context indirectly related to coffee. Thus, jobs in the areas of construction, maintenance, machine operation and railway operation emerged as an alternative for the population of that time. However, over time, the country stopped investing in railways in order to invest in highways, considerably limiting employability in this area. According to the data presented in the data collection, it is possible to observe that even today, more than 60 years after the beginning of the rural exodus, employability in the countryside continues on a downward trend. It is interesting to note that the rural worker has a profile that does not provide many opportunities outside the countryside, since professionals without academic training, and sometimes illiterate, do not have many job options. This shows that the mechanization of the countryside is not an exclusively productive factor, but also a human one, from the moment it places the worker who depends on it in a situation of social vulnerability. It is worth emphasizing that, even though coffee is a crop completely linked to Brazilian culture, this does not mean that its productive return is also linked to a gain for Brazilians. As mentioned, coffee was able to generate US$2 billion in revenue for the country, and even so, the data show in their employability timeline that the small producer residing in the country is increasingly unemployed. For the Alta Mogiana region, the reduction in jobs provided by the cultivation of this commodity changes the economic configuration of the cities. Gradually, the cities that grew alongside coffee production come to have to develop their urban areas at an accelerated pace, since the supply of jobs must keep up with the growth in demand. An example of this is the city of Franca, which in 2012 received the official title of national capital of men's leather footwear. This city, which is a reference in coffee production in the Alta Mogiana, from the historical moment when employability in the countryside decreased, began to increase employability in the large footwear industries, through the use of leather. This shows a clear example, within a social context linked to work, of how a city may behave when it suffers a reduction in the labor force in a given agricultural production sector.
3 Further developments
In short, based on the data analysis, it is possible to predict the growth of the current situation of low employability for workers engaged in coffee cultivation. The realistic analysis highlights that this situation has been occurring for some time and, as the mechanization of the countryside increases and spreads, it tends to continue. Along with this, the relocation of rural workers is also a factor that is expected to persist, closing a cycle of rural exodus in the coming years. This relocation will continue to promote changes in the economic configuration of cities in the coming years, but at a slower pace, since most of the coffee labor force already relocated when this process began and reached its peak around 1980. It is worth emphasizing that mechanization in the countryside and in coffee plantations is becoming increasingly significant, as it reduces costs with outsourced labor and increases crop productivity. Thus, the Alta Mogiana region, which still generates a notable number of new jobs, may in the near future be severely harmed by the growth of automated machines that do not depend on human labor.
1 Introducción
Según la leyenda de Kaldi, había un pastor en Etiopía, durante el año 850 d.C., que percibió que sus cabras se volvían más enérgicas tras ingerir un fruto rojizo que, posteriormente, se descubrió que era la cereza del café. En Brasil, por su parte, las primeras plántulas se cultivaron en 1727, en el norte del país; sin embargo, no se produjo el desarrollo esperado debido al clima de la región, y fue solamente en la región sudeste donde el café se consolidó como un grano de extrema importancia económica y agrícola. Dicho esto, a lo largo de los años, el café se convirtió en un insumo que conlleva gran notoriedad para la economía nacional y para las ciudades en las que existe una producción expresiva de dicho producto. Además, el café sitúa a Brasil como el mayor productor y exportador del grano. La región sudeste del país se caracteriza por ser responsable de una gran parte de la producción de café, principalmente de las especies Coffea canephora (o connilon robusta) y Coffea arabica (café arábica). De forma más específica, la región sudeste es responsable anualmente de la producción de 4,5 millones de sacos de café en 200 mil hectáreas (PIAI, 2024), y la región de la Alta Mogiana, que abarca 15 municipios, cuenta con 120 mil de las 200 mil hectáreas de la región sudeste. En este contexto, es posible observar que la región de la Alta Mogiana tiene una gran relevancia para el desarrollo y el crecimiento del cultivo del café. Además, esta región es considerada una gran generadora de empleos informales y formales en el mercado cafetero. La Alta Mogiana perpetúa el trabajo de pequeños productores familiares, que constituyen la mayoría en la producción de café. Estos poseen pequeñas extensiones de tierra, donde se cultiva el grano, para que al final del proceso productivo haya ingresos suficientes para el sustento de la familia. Asimismo, las cosechas y producciones empresariales contratan mano de obra barata, que puede o no tener especializaciones, pero los trabajadores frecuentemente tienen experiencia en plantaciones de café. En suma, la producción familiar y la empresarial, contabilizadas en conjunto, generan un número expresivo de nuevos empleos en la región de la Alta Mogiana.
1.1 Pregunta clave
¿Cómo se encuentra la generación de empleos por medio del cultivo del café en la región de la Alta Mogiana?
1.2 Metodología
La recolección de datos se realizó por medio de fuentes bibliográficas e investigación documental, con base en información secundaria disponible en bases de datos académicas, tales como Scientific Electronic Library Online (SciELO) y el Periódico da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), además de sitios web gubernamentales y portales especializados, como la Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Café (Embrapa Café) y el Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café (CBP&D/Café). Estos datos secundarios desempeñaron un papel fundamental al proporcionar un panorama previo del tema, considerando las discusiones ya presentadas por otros autores en estudios anteriores (Menezes, 2021). Con el fin de obtener una comprensión amplia del tema, se optó por el método exploratorio. Para profundizar el análisis, se seleccionaron municipios representativos de la Alta Mogiana, como Franca, Pedregulho y Patrocínio Paulista, como instrumentos de investigación.
2 Desarrollo
2.1 Recolección de datos
Desde la llegada del café a Brasil, en 1727, este ha desempeñado un papel fundamental en la generación de riqueza y en el desarrollo económico. Actualmente, el grano sigue siendo un actor importante en la economía brasileña, principalmente por ser responsable de una parte significativa de las exportaciones del país, con un volumen anual de cerca de 26 millones de sacos, que generan aproximadamente US$2 mil millones en ingresos. Esta contribución corresponde a más del 2% del total de las exportaciones brasileñas y representa más de un tercio de la producción mundial. El sector cafetero es un cultivo amplio, en constante crecimiento, que representa un mercado global que mueve aproximadamente U$91 mil millones al año, con la venta de un promedio de 115 millones de sacos de café producidos. Este ramo engloba una red de cerca de quinientos millones de individuos, desde los productores hasta los consumidores finales. Brasil, que representó más del 30% de la producción mundial en las últimas cosechas, es responsable de la creación de más de 8 millones de puestos de trabajo directos e indirectos en el país, y constituye el segmento del agronegocio brasileño con mayor número de empleos. El progreso tecnológico en la producción de café en Brasil está siendo impulsado por organizaciones dedicadas a la investigación y el desarrollo, que ahora están reunidas bajo la coordinación del Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café (CBP&D/Café), liderado por la Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) por medio de su filial, Embrapa Café. Dicho esto, la región de la Alta Mogiana está compuesta por algunas ciudades que contribuyen a la producción de café. Entre ellas se encuentran: Cristais Paulista, Franca, Itirapuã, Jeriquara, Patrocínio Paulista, Pedregulho, Restinga, Ribeirão Corrente y São José da Bela Vista. Según los datos puestos a disposición por el CONBEA (Congresso Brasileiro de Engenharia Agrícola), entre los años 2006 y 2017, el número de trabajadores insertos en la producción cafetera de esas ciudades se vio perjudicado debido a la mecanización de la producción y a la entrada de nuevos equipos y maquinarias, como cosechadoras y tractores. A continuación, se presenta la cantidad de empleados de la producción cafetera en los años 2006 y 2017, respectivamente, de cada ciudad: Cristais Paulista (38 y 15), Franca (88 y 46), Itirapuã (6 y 4), Jeriquara (23 y 31), Patrocínio Paulista (13 y 4), Pedregulho 217 y 33), Restinga (33 y 9), Ribeirão Corrente (17 y 24) y São José da Bela Vista (36 y 5). De esta forma, se destaca una caída de aproximadamente el 36,3% de trabajadores en este intervalo en toda la región. La ciudad de Pedregulho, por ejemplo, fue la que más trabajadores perdió como consecuencia de esta situación, al pasar de 217 a 33 empleados, lo que totaliza una pérdida de 184 personas. Además, cabe resaltar que existe una tendencia según la cual los contratados para ejercer funciones colaborativas en la producción son, en su mayoría, analfabetos y con edades entre 50-64 años. Los datos relacionados con la edad de los trabajadores se justifican por la mayor experiencia de los individuos, lo que puede servir para ahorrar esfuerzos de capacitación futura de nuevos colaboradores, ya que esta puede ser sustituida por enseñanzas informales de los trabajadores más antiguos.
2.2 Análisis
El café en Brasil es un cultivo que, desde su llegada, ha empleado a muchas personas, considerando a brasileños nativos e incluso a inmigrantes, estos principalmente durante la época de las guerras mundiales. El avance de las tecnologías agrarias es una realidad creciente que ha impactado no solo el cultivo del café, sino también muchos otros. Esto ocurre desde el período en que se inició el éxodo rural, alrededor de 1960, cuando los trabajadores rurales dejaron el campo a causa de la mecanización de la producción y fueron a buscar empleo en la ciudad. Es importante mencionar que la cuestión de la empleabilidad en la producción del café no está vinculada únicamente al entorno de producción, sino a toda la logística creada en la región de la Alta Mogiana para permitir el ascenso de esta commodity. Un ejemplo de ello es la creación de líneas férreas. Para que el café fuera transportado hasta el puerto, principalmente en la época del imperio, el principal medio de transporte eran los ferrocarriles, que recorrían toda la región de la Mogiana desde Campinas hasta el estado de Minas Gerais. Estas líneas férreas permitían la empleabilidad de la población en un contexto indirectamente relacionado con el café. De esta forma, empleos en las áreas de construcción, mantenimiento, operación de máquinas y operación de ferrocarriles surgieron como una alternativa para la población de la época. Sin embargo, con el paso del tiempo, el país dejó de invertir en ferrocarriles para invertir en carreteras, lo que limitó considerablemente la empleabilidad en esta área. Conforme a los datos presentados en la recolección de datos, es posible observar que aún hoy, más de 60 años después del inicio del éxodo rural, la empleabilidad en el campo sigue una línea decreciente. Es interesante señalar que el trabajador rural posee un perfil que no le proporciona muchas oportunidades fuera del campo, ya que el profesional sin formación académica y, en ocasiones, analfabeto no tiene muchas opciones de trabajo. Esto muestra que la mecanización del campo no es un factor exclusivamente productivo, sino también humano, desde el momento en que coloca al trabajador que depende de ello en una situación de vulnerabilidad social. Cabe resaltar que, aunque el café sea un cultivo completamente vinculado a la cultura brasileña, esto no significa que su retorno productivo también esté vinculado a una ganancia para los brasileños. Como se mencionó, el café fue capaz de generar US$2 mil millones en ingresos para el país y, aun así, los datos muestran en su línea temporal de empleabilidad que el pequeño productor que reside en el país está cada vez más desempleado. Para la región de la Alta Mogiana, la reducción de los empleos promovidos por el cultivo de esta commodity cambia la configuración económica de las ciudades. De manera gradual, las ciudades que crecieron en torno a la producción de café pasan a tener que desarrollar su área urbana de forma acelerada, ya que la oferta de empleos debe acompañar el crecimiento de la demanda. Un ejemplo de ello es la ciudad de Franca, que en 2012 obtuvo el sello oficial de capital nacional del calzado masculino de cuero. Esta ciudad, que es una referencia en la producción de café de la Alta Mogiana, a partir del momento histórico en que se produjo la disminución de la empleabilidad en el campo, pasó a aumentar la empleabilidad en las grandes industrias del calzado, con la utilización del cuero. Esto muestra un ejemplo claro, en un contexto social vinculado al trabajo, de cómo una ciudad puede comportarse al sufrir la disminución de la mano de obra en un determinado sector productivo agrícola.
3 Desarrollos posteriores
En suma, a partir del análisis de los datos es posible prever el crecimiento de la situación actual de baja empleabilidad para los trabajadores insertos en el cultivo de café. El análisis realista resalta que esta situación ya ocurre desde hace un tiempo y, a medida que la mecanización del campo aumenta y se expande, tiende a continuar. Junto a ello, la reubicación de los trabajadores rurales también es un factor que debe mantenerse, cerrando un ciclo de éxodo rural en los próximos años. Esta reubicación continuará promoviendo en los próximos años el cambio en la configuración económica de las ciudades, aunque a una velocidad más lenta, ya que la mayor parte de la mano de obra del café ya se reubicó cuando este proceso tuvo su inicio y su auge, alrededor de 1980. Cabe resaltar que la mecanización en el campo y en las plantaciones de café se vuelve cada vez más expresiva, por reducir los costos de la mano de obra tercerizada y por aumentar la productividad de los cultivos. De esta forma, la región de la Alta Mogiana, que aún genera un número notable de nuevos empleos, podrá, en un futuro próximo, verse altamente perjudicada por el crecimiento de máquinas automatizadas que no dependen de mano de obra humana.
FigurasFiguresFiguras
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Análise da geração de empregos por influência da cultura do café na região da alta mogiana
Analysis of job creation influenced by coffee cultivation in the Alta Mogiana region
Análisis de la generación de empleos por influencia del cultivo del café en la región de la Alta Mogiana
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Análise da geração de empregos por influência da cultura do café na região da alta mogiana
Analysis of job creation influenced by coffee cultivation in the Alta Mogiana region
Análisis de la generación de empleos por influencia del cultivo del café en la región de la Alta Mogiana
ReferênciasReferencesReferencias
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