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Revista Eletrônica sobre Acesso a Dados · eISSN 2763-7875

Impacto do valor da cesta básica no consumo de café no Brasil: uma análise entre os anos de 2013 a 2023

Publicado em v. 5, n. 1 (2024)

Autores

  • Ana Lara Adorno da Silva UNESP/Tupã
  • Bruno Francisco de Oliveira UNESP
  • Deiriny Ketlyn da Silva Fernandes dos Santos UNESP/Tupã
  • Larissa Rosa Pereira UNESP/Tupã
  • Leticia Viana Coracini UNESP/Tupã

Resumo

O café passou a ser a base da economia do Brasil após a sua independência, passando por algumas fases com definições amplamente distintas: a escravidão a produção em grandes fazendas de todo o país. Atualmente, não há produtos que substituem o café ou que concorram diretamente com ele. O mercado cafeeiro vem investindo significativamente em melhorias e na introdução de novas qualidades, possuindo um papel essencial, sendo um dos alimentos incluídos na cesta básica brasileira. A questão chave deste trabalho é: “Como as variações no valor da cesta básica impactam o consumo de café no Brasil?”. Para responder a tal, foi utilizada uma metodologia que envolve a Coleta, o Tratamento, o Armazenamento e a Visualização de dados. Os resultados indicam que, apesar das variações no custo da cesta básica, o consumo de café se mantém estável, refletindo seu profundo enraizamento cultural.

Palavras-chave

CulturaBanco de dadosSalário-MínimoPreço

Texto completo

1 Introdução

O café passou a ser a base da economia do Brasil após a sua independência, passando por algumas fases com definições amplamente distintas. A primeira fase, que ainda contava com a escravidão e tinha como cenário principal o Vale do Paraíba, ocorreu de 1860 até 1880, decaindo até a abolição da escravidão. A segunda fase ocorreu em São Paulo, especificamente no oeste paulista, onde a mão-de-obra utilizada não era escrava, mas composta por imigrantes que na época eram abundantes (Nagay, 1999). Na década de 1950, é criado o Instituto Brasileiro do Café, entrando na terceira fase, na qual o governo manifesta uma grande defesa, comprando café sempre que necessário para a sustentação dos preços. Na sua última fase, na década de 1970, o governo propôs novos estímulos com a plantação de novos cafezais, implementando o Programa de Renovação e Revigoramento dos Cafezais. Assim, por fatores climáticos, a produção de café passou a ser concentrada no estado de Minas Gerais, após as plantações do Paraná e do oeste paulista serem destruídas (Nagay, 1999). Nesse contexto, tem-se um vislumbre da importância do café na economia brasileira. Atualmente, o Brasil é o maior exportador e consumidor de café do mundo, destacando-se como principal produtor, exportador e consumidor de café em grão (Conceição, 2017). O consumo de café é parte integrante do cotidiano do brasileiro; o produto é utilizado para revitalizar e proporcionar ânimo, sendo amplamente consumido em ambientes de trabalho e em situações sociais devido ao seu profundo enraizamento cultural. Segundo um estudo realizado a pedido da ABIC em 1997, "mostrou que o consumo de café continuava associado ao hábito e que o sabor e o aroma eram também incentivadores do consumo" (Arruda, 2009, p. 755). Nesse sentido, o consumo de café tem se adaptado aos diversos perfis e preferências dos consumidores, com a análise das características particulares de cada grupo visando a caracterização de novos segmentos de mercado e a exploração do seu potencial. Nos dias atuais, não há produtos que substituem o café ou que concorram diretamente com ele. O mercado cafeeiro vem investindo significativamente em melhorias e na introdução de novas qualidades. Além disso, há um investimento robusto em marketing para combater a percepção negativa de que o café faz mal à saúde. Estudos recentes indicam que o consumo moderado de café pode melhorar as atividades intelectuais, reduzir a incidência de apatia e depressão, além de estimular a memória, a atenção e a concentração (Arruda, 2009). O café também possui um papel essencial, pois faz parte dos alimentos incluídos na cesta básica brasileira, criada por lei em 1938 com a sanção do Decreto-lei n. 399. Este decreto estabeleceu um salário mínimo e uma alimentação mínima a ser garantida à população brasileira. Assim, foram determinados treze itens fundamentais: carne, leite, feijão, arroz, farinha, batata, legumes (tomate), pão, café, frutas, açúcar, óleo e manteiga, que, segundo estudos da época, seriam suficientes para o sustento diário (Bovolenta, 2024). No Brasil, existem diversas variedades de alimentos e variações de preços por região, estado e cidade. Para definir os alimentos incluídos na cesta básica, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) realiza mensalmente reuniões com as dezesseis capitais para uma pesquisa sobre o custo da cesta básica, considerando o salário mínimo atual. Esse salário mínimo serve como um indicador do custo de vida e do poder de compra do trabalhador (Bovolenta, 2024).

1.1 Questão-chave

Como as variações no valor da cesta básica impactam o consumo de café no Brasil?

1.2 Metodologia

A metodologia do presente trabalho desenvolveu sobre 4 aspectos, elencados a seguir.

1. Coleta de Dados:
Área: Pesquisa de mercado e economia
Técnica: Pesquisa documental e análise de dados primários, utilizando ferramentas online para acessar relatórios, dados estatísticos e informações disponíveis nos sites da ABIC e do DIEESE.

2. Tratamento de Dados:
Área: Estatística e Análise de Dados
Técnica: Limpeza e preparação de dados, utilização de softwares de planilhas eletrônicas, como o Excel, para organizar, limpar e efetuar cálculos dos dados primários coletados a fim de chegar no resultado desejado.

3. Armazenamento de Dados:
Área: Tecnologia da Informação
Técnica: Armazenamento dos dados coletados em serviços de armazenamento em nuvem, como o Google Planilhas e o Excel on-line. Isso garante a segurança e a acessibilidade dos dados a todos os integrantes do grupo, para análises futuras.

4. Visualização de Dados:
Área: Tecnologia da Informação
Técnica: Gráficos e Visualizações Interativas. Utilização de ferramentas de visualização de dados disponíveis em softwares de planilhas eletrônicas, no caso o Excel. Isso inclui a criação de gráficos para comunicar os resultados da análise de forma clara e eficaz.

Em resumo, utilizou-se de uma abordagem multidisciplinar, combinando técnicas e recursos de diferentes áreas para garantir a eficácia da coleta, tratamento, armazenamento e visualização dos dados relacionados ao impacto do valor da cesta básica no consumo de café no Brasil.

2 Desenvolvimento

2.1 Coleta

Para começar, foram definidos os principais dados a serem coletados, sendo: informações sobre o consumo de café, o valor da cesta básica, o salário mínimo e o preço do café em pó no varejo nos anos de 2013 a 2023. Para o consumo de café, recorreu-se a pesquisas de mercado e relatórios setoriais, buscando dados estatísticos sobre o consumo no Brasil nas fontes da Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC). Para obter os valores da cesta básica, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) foi referência nesse tipo de informação. Buscou-se por relatórios mensais que detalham os preços da cesta básica em diferentes regiões do país. Quanto ao valor do salário mínimo, consultou-se fontes oficiais do governo, como a própria DIEESE, onde dados sobre o salário mínimo vigente em cada período analisado foram achados. Por fim, para o preço do café em pó no varejo, informações disponíveis nos relatórios da ABIC, que monitora o mercado de café no Brasil, foram fontes de informação. Esses relatórios permitiram o acesso a dados específicos sobre os preços médios do café mensais nos anos analisados. Em suma, a abordagem da coleta envolveu a utilização de fontes confiáveis e atualizadas, garantindo a qualidade e a precisão dos dados coletados para a análise sobre o impacto do valor da cesta básica no consumo de café no Brasil.

2.2 Análise

O valor da cesta básica é um indicador crucial do custo de vida no Brasil. Aumentos nesse valor impactam diretamente o poder de compra das famílias, especialmente aquelas de baixa renda. Esses aumentos foram analisados no gráfico 2, no qual é demonstrado o crescente aumento no custo da cesta básica e no preço do café no varejo, em razão do aumento do salário mínimo do Brasil. Isso pode resultar na priorização de itens essenciais, como arroz, feijão e carne. O Gráfico 4 demonstra a evolução anual da porcentagem de gastos com a cesta básica em relação ao salário mínimo. Durante o período analisado, observa-se um aumento progressivo no início da pandemia em 2020, atingindo seu pico próximo a 1,20%. Posteriormente, houve uma queda nesse valor de quase 0,20% em um ano. O café é uma bebida profundamente enraizada na cultura brasileira, como podemos observar no gráfico 1, no qual percebemos o equilíbrio do consumo, variando de 4 a 5 kg consumidos por habitante, entre os 10 anos estudados. Demonstrando que mesmo com as variações no custo da cesta básica, o brasileiro não deixou de consumir o produto, devido ao seu valor cultural e social. Por exemplo, o café é muitas vezes consumido em reuniões sociais, durante o trabalho e em momentos de lazer. Portanto, variações no preço ou no poder de compra dos consumidores geralmente têm um impacto limitado na quantidade consumida. No entanto, se o aumento no valor da cesta básica for muito significativo, as famílias podem procurar substituir produtos caros por alternativas mais baratas. No caso do café, isso pode significar a substituição de grãos de alta qualidade por grãos mais baratos ou até mesmo por substitutos como o café solúvel, em vez de uma redução na quantidade consumida. O Brasil figura atualmente como um dos principais consumidores e produtores de café globalmente, desempenhando um papel de significativa importância econômica para o país. Com avanços na produção e um padrão de qualidade elevado, juntamente com a redução dos gastos com itens básicos de subsistência e o aumento do salário mínimo, conforme evidenciado no Gráfico 4, é plausível esperar uma experiência aprimorada para os consumidores de café. Apesar do crescente respaldo científico que ressalta os inúmeros benefícios do café para a saúde humana, promovendo melhorias na qualidade de vida e diversos efeitos fisiológicos positivos, ainda persiste uma carência de informações abrangentes sobre os padrões de consumo desta bebida. Dessa maneira, a interpretação e uso desses dados oferecem uma base sólida para pesquisas acadêmicas, tomadas de decisão informadas e aprimoramento de estratégias em diferentes setores, contribuindo para uma compreensão mais abrangente do papel do café na economia e na sociedade brasileira. Adicionalmente, a compreensão das relações entre o consumo de café, o custo da cesta básica e o salário mínimo pode contribuir para a identificação de possíveis desafios e oportunidades no contexto da segurança alimentar no Brasil, permitindo a implementação de medidas mais eficazes para atender às necessidades nutricionais da população.

3 Desdobramentos

Os desdobramentos futuros podem ser considerados para melhorias, ampliações ou complementações deste estudo sobre o impacto do valor da cesta básica no consumo de café no Brasil, podendo incluir: Análise de tendências futuras: Realizar projeções e análises sobre as tendências futuras do consumo de café em relação ao valor da cesta básica e ao salário mínimo, levando em consideração possíveis cenários econômicos e mudanças de comportamento dos consumidores. Avaliação de políticas públicas: Analisar o impacto de políticas públicas relacionadas à produção de café, à segurança alimentar e ao salário mínimo no consumo de café e no custo da cesta básica, identificando possíveis oportunidades de melhoria. Avaliação de sustentabilidade: Incluir uma análise sobre a sustentabilidade da produção de café e seu impacto no consumo, considerando aspectos ambientais, sociais e econômicos.

Figuras

  • Impacto do valor da cesta básica no consumo de café no Brasil: uma análise entre os anos de 2013 a 2023

  • Impacto do valor da cesta básica no consumo de café no Brasil: uma análise entre os anos de 2013 a 2023

  • Impacto do valor da cesta básica no consumo de café no Brasil: uma análise entre os anos de 2013 a 2023

  • Impacto do valor da cesta básica no consumo de café no Brasil: uma análise entre os anos de 2013 a 2023

Referências

ARRUDA, Aline Cristina et al. Justificativas e motivações do consumo e não consumo de café. Food Science and Technology, v. 29, p. 754-763, 2009.

BOVOLENTA, G. A. Cesta básica e assistência social: notas de uma antiga relação. Serviço Social & Sociedade, n. 130, p. 507-525, 2017. Disponível em: https://doi.org/10.1590/0101-6628.121. Acesso em: 22 maio 2024.

Cesta Básica de alimentos: banco de dados. DIEESE - Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos. Disponível em: https://www.dieese.org.br/cesta/. Acesso em: 20 maio 2024.

CONCEIÇÃO, Júnia Cristina Péres Rodrigues da; ELLERY JUNIOR, Roberto de Goes; CONCEIÇÃO, Pedro Henrique Zuchi da. Cadeia agroindustrial do café no Brasil: uma análise do período recente. 2017.

Evolução do consumo interno de café no Brasil: Consumo interno de café em sacas e per-capita – Brasil. ABIC - Associação Brasileira da Indústria do Café. Disponível em: https://estatisticas.abic.com.br/estatisticas/indicadores-da-industria/. Acesso em: 20 maio 2024.

Metodologia para cestas básicas. PORTAL DE FINANÇAS.Disponível em: https://www.portaldefinancas.com/arq_cestas/metodologia.htm. Acesso em: 22 maio 2024.

NAGAY, Julio Hidemitsu Corrêa. Café no Brasil: dois séculos de história. Campinas: UNICAMP, Formação Econômica, 1999. n. 3, p. 17-23.

Pesquisa nacional da Cesta Básica de Alimentos: Salário mínimo nominal e necessário. DIEESE - Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos. Disponível em: https://www.dieese.org.br/analisecestabasica/salarioMinimo.html. Acesso em: 21 maio 2024.

Preços médios de café Torrado e Moído no Varejo (R$ / kg). ABIC - Associação Brasileira da Indústria do Café. Disponível em: https://estatisticas.abic.com.br/estatisticas/preco-no-varejo/. Acesso em: 21 maio 2024.