Capítulo de livro · Informação, Dados e Tecnologia

Os princípios FAIR como diretrizes para maximizar o uso e (re)uso dos dados de pesquisa: Traçando um paralelo com a gestão de documentos arquivísticos digitais

Autoria

  • Bárbara Carvalho Diniz Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
  • Guilherme Ataíde Dias Federal University of Paraíba (UFPB)
  • Alzira Karla Araújo da Silva Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Resumo

Aborda o que são os princípios FAIR, seu surgimento e sua aplicação para maximizar o uso e reuso de dados de pesquisa. Buscou-se traçar um paralelo com a gestão de documentos arquivísticos digitais e como ambos podem contribuir na gestão de dados de pesquisa. É por isso que o objetivo principal deste artigo consiste em compreender como os princípios FAIR e a gestão de documentos arquivísticos digitais podem contribuir para tal gerenciamento. Metodologicamente, a pesquisa é de natureza aplicada, possui caráter exploratório, e seu procedimento técnico é de uma pesquisa bibliográfica. Foram então estudados os princípios e diretrizes do FAIR, como também da gestão de documentos arquivísticos digitais. Estabelece-se as semelhanças e os pontos em comum das ferramentas usadas para gerir dados e documentos digitais. A partir do paralelo traçado conclui-se que por mais que os objetos digitais (dados e documentos) possuam diferenças, existem semelhanças em relação a sua curadoria, procedimentos em comum em relação ao encontro, acesso e reuso de dados e documentos.

Palavras-chave

Princípios FAIRGestão de dados de pesquisaGestão de Documentos Arquivísticos Digitas

Dados da publicação

Publicado em
Informação, Dados e Tecnologia (Livro)
Organização
Guilherme Ataíde Dias; Moisés Lima Dutra; Fábio Mosso Moreira; Fernando de Assis Rodrigues; Ricardo César Gonçalves Sant'Ana
ISBN
978-85-67703-05-3
Idioma
Português
Páginas
123–135
Ano
2018
Origem
II WIDaT — WIDaT – Workshop de Informação, Dados e Tecnologia

Apresentação em vídeo

Boa tarde, sou representante do artigo “Os princípios FAIR como diretrizes para maximizar o uso e (re)uso dos dados de pesquisa: Traçando um paralelo com a gestão de documentos arquivísticos digitais”.<br />A princípio as pessoas podem perguntar o que são os princípios FAIR. FAIR é uma sigla em inglês que significa Findable, Accessible, Interoperable e Reusable, que quer dizer encontrável, acessível, interoperável e reutilizável. O conjunto de dados sobre o princípio FAIR foram elaborados a partir de uma conferência, eles foram propostos no ano de 2014.<br />O que esses pesquisadores propuseram? Que grande parte da quantidade de dados que está sendo produzida pela ciência precisava de princípios que regeram e que os pesquisadores pudessem fazer gerência dos dados.<br />Os princípios Encontrável, Acessível, Interoperável e Reutilizável são primordiais para dados de pesquisa serem tratados e preservados. Conhecer como surgem suas fases e sua natureza é essencial para reger os princípios FAIR. Ou seja, temos muito para entendermos o que são dados de pesquisa, como são conceituados, qual são os tipos, qual sua natureza, para saber como aplicar esses princípios. <br />Os dados passam por um ciclo de vida que vai desde o planejamento da coleta, da preservação, descoberta, integração, análise e isso vai sendo continuado como um ciclo. É muito importante dizer que esses dados não serve apenas para aqueles pesquisadores naquela pesquisa em especial, mas os princípios FAIR dizem para os pesquisadores para compartilhar esse conjunto de dados produzidos pela ciência.<br />Aparentemente vocês podem perguntar mas o que isso tem a ver com a gestão dos documentos arquivísticos digitais. Vou começar com uma definição de arquivo e documento que é muito clássica no meio arquivístico que é o conceito de documento como logística de informação, independente de sua natureza ou suporte. Um documento pode ser aquele de papel, pode ser digital, pode ser um áudio, uma imagem. <br />Essa nova perspectiva digital o arquivo nacional, o dicionário de arquivística diz que os documentos digitais são aqueles documentos originários em discos binários, presentes em sistema computacional que são parte dos documentos produzidos hoje.<br />Os documentos digitais e os arquivos digitais trazem inúmeras possibilidades para nosso dia a dia, principalmente em questão de acesso. Só que também nós temos problemas na questão da perturbação, da vibração, que está ligada a preservação, problema da segurança onde muitas pessoas falaram sobre, então existem preocupação no meio digital com os arquivos.<br />Então qual o objetivo geral desse artigo, é entender como os princípios FAIR e a gestão de documentos arquivísticos digitais pode contribuir para o gerenciamento de dados científicos. Os objetivos específicos são conhecer o que são os princípios FAIR, entender as diretrizes e princípios aplicados a gestão de arquivos digitais e estabelecer semelhança entre os princípios FAIR e a gestão de documentos arquivísticos digitais.<br />Quanto aos procedimentos metodológicos, essa pesquisa tem natureza aplicada, característica exploratória, é classificada como uma pesquisa bibliográfica. <br />Como eu falei logo no começo, os princípios FAIR foram elaborados em uma conferência em que foram pesquisadores científicos que propuseram esses princípios para reger o conjunto de dados. Teve duas entidades que tiveram a preocupação de que OK, tem que ser encontrável, tem que ser acessível, tem que ser interoperáveis e reutilizáveis, mas como a gente vai aplicar isso na prática. <br />Então por exemplo, o princípio dos dados serem encontrados eles devem ser encontrados em quanto tempo, os dados digitais devem ser consistentes, ter seus metadados, deve ter metadados processáveis por máquina, que permitam interagir com outros objetos de dados, uso de identificadores únicos e persistentes.<br />Quanto a ele ser acessível, como ele pode ser acessado por máquinas e por humanos, segurança, quem vai acessar esses dados.<br />Interoperável porque, por exemplo, ele diz que os metadados devem ser operados por máquinas, os meta formatos de dados devem utilizar vocabulários compartilhados, metadados registrados dentro dos objetos de dados.<br />E por exemplo, reutilizáveis porque eles devem estar em conformidade com os princípios de serem encontrados e interoperável. Também tem a questão dos metadados que são super importantes.<br />Já a gestão de documentos arquivísticos digitais se a gente for pegar do Conselho Nacional de Arquivo que é um documento, que foi elaborado por vários órgãos internacionais e nacionais. Nesse documento ele vai falar sobre todos os processos da gestão de documentos e como deve acontecer a gestão de documentos arquivísticos digitais, que vai desde o processo de captura, avaliação, a segurança e controle de acesso, armazenamento e preservação.<br />Como vocês podem ver não dá nem tempo de falar porque são muitos requisitos, mas a gente vem para a parte principal aqui, que são quais são os pontos em comuns entre os princípios FAIR e a gestão de documentos arquivísticos digitais?<br />Ambos têm, por exemplo, algo em comum quanto a encontrabilidade de documentos e dos dados serem encontrados, eles fazem uso de verificador e a partir dos metadados e uso de palavras chaves. Tanto os dados quanto os documentos são acessíveis por método de controle ampliada, deve haver um controle de acesso.<br />Em relação a interoperabilidade foram muitos pontos que não tiveram nada em comum, porque enquanto os dados interoperáveis levam muito a questão de ontologias e os metadados que sejam acessíveis a linguagem também devem ser entendidas por outros pesquisadores que não estão originalmente naquela pesquisa, com a interoperabilidade de documentos ela fala muito sobre a questão da legislação vigente e a política de segurança, a gente tem que operar com outros sistemas por meio de padrões abertos. Nesse ponto não foi encontrado nenhum ponto em comum nesse aspecto.<br />Já por exemplo para os dados reutilizáveis e os documentos também, deve ser estabelecido tempo de guarda, e a garantia da qualidade e confiabilidade da informação. <br />O que a gente levanta como considerações finais? Que os princípios FAIR eles trazem como pilares ser encontrados, acessíveis, interoperáveis e reutilizáveis, com preocupação na gestão de dados de pesquisa. Estes princípios podem potencialmente ser usados na administração para uso dos dados, não se preocupando com a questão da preservação que é uma preocupação da gestão de dados de pesquisa. <br />Já a gestão de documentos arquivísticos digitais, eles têm uma prerrogativa que por exemplo, envolve a política institucional e a preservação dos documentos. Não foi a intenção de fazer uma crítica aos princípios FAIR, pois eles foram criados para maximizar e reutilizar os dados de pesquisa, a preservação aparentemente não é seu foco. Mas, com os princípios FAIR aliados aos princípios da gestão de documentos arquivísticos digitais demonstram qualidades que são essenciais na administração entre a relação de dados de pesquisa. <br />Quem tente a ganhar com isso é a ciência, pois ela terá acesso e preservação para seu desenvolvimento no presente e futuro. E aqui são as referências, e muito obrigado.