Capítulo de livro · Informação, Dados e Tecnologia

Reconhecimento de entidades nomeadas em relatórios de inteligência financeira

Autoria

  • Jairo Santana Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
  • Diefferson K. Moro Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
  • Rogério de Aquino Silva Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
  • Vinicius Faria Culmant Ramos Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)
  • Gustavo Medeiros de Araujo Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Resumo

O reconhecimento de entidades nomeadas é uma das subáreas do processamento de linguagem natural, mineração de textos e aprendizado de máquinas. Todas essas áreas fazem parte da grande área da inteligência artificial, muito utilizada em diversos problemas práticos do nosso dia a dia. Uma das competências da Polícia Federal é a investigação de crimes financeiros, em especial, a lavagem de dinheiro. Dentre os problemas encontrados na investigação policial, destacamos a análise dos Relatórios de Inteligência Financeira (RIF), escritos em português do Brasil, que são gerados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras. O objetivo desta análise é identificar os atores envolvidos em esquemas de lavagem de dinheiro, mas, dependendo da complexidade do esquema, a identificação, por exemplo, desses atores e suas relações (sociedades, parentescos, “laranjas”, empresas “fantasmas”, etc) em um relatório, pode demandar um tempo significativo do policial envolvido na investigação. Este trabalho, portanto, visa apresentar resultados iniciais da automatização do reconhecimento de entidades nomeadas, importantes para a investigação policial, em RIFs. Identificamos, na literatura, uma grande lacuna para esse tipo de solução em textos em português. Os nossos resultados, ainda preliminares, demonstram que as ferramentas e os dados utilizados para o treinamento ainda precisam ser melhor trabalhados para que estes sejam mais significativos. Pudemos perceber que com poucos dados de treinamento conseguimos aumentar a precisão do reconhecimento de entidades de 14 para 27% e, em um teste com o framework RASA NLU, aumentamos a precisão para 60,98% de entidades reconhecidas corretamente, muito aquém dos 90% encontrados na literatura para outros idiomas.

Palavras-chave

Reconhecimento de Entidades NomeadasMineração de TextoRelatório de Inteligência FinanceiraProcessamento de Linguagem Natural

Dados da publicação

Publicado em
Informação, Dados e Tecnologia (Livro)
Organização
Guilherme Ataíde Dias; Moisés Lima Dutra; Fábio Mosso Moreira; Fernando de Assis Rodrigues; Ricardo César Gonçalves Sant'Ana
ISBN
978-85-67703-05-3
Idioma
Português
Páginas
291–302
Ano
2018
Origem
II WIDaT — WIDaT – Workshop de Informação, Dados e Tecnologia

Apresentação em vídeo

Bom, esse trabalho “Reconhecimento de entidades nomeadas em relatório de inteligência financeira”, foi realizado na Universidade Federal de Santa Catarina no departamento de ciência da informação. Os autores são: Jairo Brandão de Santana, Prof. Dr. Gustavo Medeiros de Araujo e Prof. Dr. Vinicius Faria Culmant Ramos. Trabalho aceito pelo WIDAT 2018 - Workshop de Informação Dados e Tecnologia.<br /> Trabalho motivado pela questão de lavagem de dinheiro, no qual a origem da lavagem de dinheiro começou pelas máfias e organizações criminosas do início do século 20, aumentou com o surgimento dos países fiscais com dinheiros ilícito tinha o seu destino, aumentou bastante com a questão do narcotráfico que o volume de dinheiro gerado é muito grande, dinheiro que precisava ser espalhado em um lugar. Então “É uma forma genérica de referir-se ao processo ou conjunto de operações de ocultar a origem de dinheiro ou dos bens resultantes das atividades delitivas e integrá-los no sistema econômico ou financeiro, em operações capazes de converter o dinheiro sujo em dinheiro limpo” (Lustosa, 2009, p.1).<br />Lavagem de dinheiro em algumas etapas apresentadas, ocultação de dinheiro no recebimento de dinheiro é colocado em instituições financeiras e a dissimulação a distribuição entre as instituições financeiras, empresas e offshore; depois a integração com a utilização desse dinheiro ilícito em ativos listados para caracterizar com a atitude do dinheiro.<br />A Convenção de Viena aconteceu em 1988, criada pela ONU para poder tentar mitigar esse problema de lavagem de dinheiro, financiamento de terrorismo; foram feitas várias atribuições como identificar os riscos de desenvolver políticas e combater a lavagem de dinheiro e o financiamento do terrorismo e a proliferação, aplicar medidas preventivas no setor financeiro, estabelecer poderes, aumentar a transparência e melhorar a cooperação internacional.<br />No Brasil surgiu em 1998 a lei de lavagem de dinheiro, a criação da COAF - Conselho de Controle de Atividades Financeiras, no caso aqui a nossa entidade que examina todas as atividades que são suspeitas para poder fazer uma investigação. Eles fazem uma investigação preliminar e dependendo das atividades suspeitas eles enviam esses relatórios das atividades suspeitas para as autoridades competentes.<br />Há uma comunicação entre o setor financeiro e a COAF no qual acima de qualquer operação acima de 150 mil, ela deve ser registrada e deve ser enviada para o COAF com pelo menos três dias de antecedência. A partir de uma análise prévia das instituições financeiras sobre as operações suspeitas essas instituições enviam para o COAF essas operações a qual ela faz uma pré análise dessas operações e gera um relatório, vantagem desse relatório que é o relatório de inteligência financeira que comunica as autoridades com essas informações.<br />Estão na polícia federal existe uma área de repressão aos crimes financeiros que recebe os RIF’s que são relatório de inteligência financeira e faz uma análise, tábula o resultado do RIF’s e também uma análise de diagramação. Então esse é o formato do relatório recebido pelo agente financeiro com várias informações além de empresas e o montante de dinheiro operacionalizado e as empresas que estão recebendo. É uma dependência muito grande para o desempenho da análise do RIF’s de uma dependência do agente, ele tem que ser experiente e tem que também lembrar se aquela operação é parecido com outra operação que ele viu em outro RIF’s, há um descasamento de informações entre RIF’s e a própria análise que pode ser bastante custosa dependendo do tamanho.<br />Após análise inicial o agente realiza uma tabulação dos RIF’s colocando ali a origem de quem depositou, o depositante, a pessoa que vai receber o valor, o tipo de operação e um período, então ele faz manualmente essa análise e assim esse preenchimento.<br />A proposta é fazer o reconhecimento de entidades, eventos através de mineração de texto e armazenar em uma base de dados estruturados. Um processo de mineração de texto ele envolve três etapas principais: o pré-processamento de documentos, extração de padrões e agrupamentos de texto e avaliação do conhecimento.<br />Utilizamos as três métricas mais conhecidas para avaliar a mineração de textos, a precisão, Recall, F-Score. A precisão mede habilidades do sistema em manter os documentos relevantes, fora o resultado da consulta ou seja fórmula dos documentos recuperados relevantes do número total do curso recuperado, então a precisão é capaz de indicar o esforço que o usuário teria para analisar uma busca, isso significa que se em 60% dos itens retornados fossem relevante o usuário teria teoricamente desperdiçado 40% do seu esforço analisando os itens relevantes.<br />O Recall (abrangência ou revocação) mede a habilidade do sistema composto documentos mais relevante para o usuário com base em algumas expressões de busca utilizando a formação de busca ou seja seria os itens recuperados relevantes com os possíveis itens recuperadas, esses possíveis itens como não são conhecidos é uma medida estatística.<br />F-Score é um balanceamento uma média harmônica entre a precisão e o Recall que ele dá o quanto que essa medida de precisão e esforço foi feito pra poder fazer o reconhecimento das entidades.<br />A metodologia utilizamos a ferramentas spaCy e a base de dados HAREM e fizemos alguns testes utilizando o spaCy impuro na sua versão 2.0 no primeiro modelo, segundo modelo a gente usou o modelo original com 500 internações e 20 interações de dados de localidade, o terceiro modelo gerado com base no original acrescido com 20 interações de dados de treino, o modelo em branco acrescido com 20 iterações de dados de treino, um novo modelo HAREM com as interações de 2 a 110 e o spaCy com framework Rasa MLU.<br />Os resultados do REN para o RIF reconhecimento de entidades é de 1 a 6 esses modelos, a gente conseguiu esse quadro de resultados com F-Score até 30, o Recall até 38 no modelo 3 e uma precisão até 27.5 com um modelo 3, então o modelo 3, se a gente retornar para ver seria o modelo gerado com base na pesquisa acrescido com 20 iterações de treinamento, foi o modelo que melhor teve resultado, entretanto ainda é um estudo no qual a gente percebeu que realmente nós precisamos de mais dados e testar outros corpus para poder melhorar a precisão e chegar em uma precisão de 60% que é o que tem na literatura.<br />Então a gente realizou alguns testes com Rasa MLU, e a gente teve ali é uma identificação de 162 entidades com uma precisão de 60,98%, essa precisão é uma precisão que está de acordo com que se alcança para a literatura em português ao reconhecimento da entidade em português, então nosso trabalho está de acordo com que se tem ainda na literatura.<br />Bom para qualquer dúvida podem entrar em contato diretamente comigo, esse é o meu e-mail gustavo.araujo@ufsc.br.<br />