Capítulo de livro · Informação, Dados e Tecnologia

A Ciência de Dados à luz da Ciência do Senso Comum Aristotélico: uma análise comparativa com a tecnologia sensorial

Autoria

  • Marcello Mundim Rodrigues Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
  • Tereza Cristina Fernees Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Resumo

Compara a percepção da compreensão aristotélica aplicáveis à Ciência de Dados, com objetivo de buscar uma fundamentação teórica filosófica a esta disciplina emergente. Apoia-se em duas metodologias: (a) a revisão bibliográfica - nas contribuições dos estudos críticos pertinentes à filosofia aristotélica da experimentação do senso comum e; (b) na análise de conteúdo – pela capacidade de inferência e dedução da compreensão. Argumenta-se a partir da análise dos três níveis de pensamento observado por Aristóteles, sob os seguintes aspectos: (1) os sentidos e as sensações são os dados que a mente recebe; (2) as ideias são os dados que a mente produz e; (3) o pensamento produz conhecimento relacionando as ideias, juntando-as, separando-as e confrontando-as, formado pela capacidade de cognição em busca da razão. Como resultado comparativo, encontra similaridades com as tecnologias atuais, que captam dados do ambiente, utilizando instrumentos que imitam capacidades sensoriais do raciocínio humano, bem como a compreensão desses dados. Finalmente, considera a necessidade de identificar as raízes dos pressupostos teóricos filosóficos, a fim de consolidar a Ciência de Dados e despertar para a produção de novos conhecimentos.

Palavras-chave

Ciência de dadosFilosofiaTecnologia sensorial

Dados da publicação

Publicado em
Informação, Dados e Tecnologia (Livro)
Organização
Guilherme Ataíde Dias; Moisés Lima Dutra; Fábio Mosso Moreira; Fernando de Assis Rodrigues; Ricardo César Gonçalves Sant'Ana
ISBN
978-85-67703-05-3
Idioma
Português
Páginas
513–526
Ano
2018
Origem
II WIDaT — WIDaT – Workshop de Informação, Dados e Tecnologia

Apresentação em vídeo

Oi, boa tarde meu nome é Teresa, eu sou Marcelo, e nós somos estudantes de mestrado do PPGOC, da UFMG. Nós estamos aqui pra falar do nosso artigo intitulado A Ciência de Dados à luz da Ciência do Senso Comum Aristotélico: uma análise comparativa com a tecnologia sensorial.<br />A ideia de nós dois escrevemos juntos surgiu porque nossos temas de pesquisa para a dissertação envolve a lógica nos processos empíricos das atividades da organização do conhecimento.<br />Na introdução do nosso trabalho, nós fizemos considerações a respeito da ciência dos dados, pois ela já nasce interdisciplinar, e essa característica a torna uma ciência facetada. Então os dados, que são um fenômeno atual, emergem com desafios e paradoxos que tornam essa ciência um estudo ainda mais reflexivo com a necessidades da sua sensação filosófica.<br />Para sustentar a ideia de que a ciência dos dados requer uma base filosófica, nós apontamos para o quarto paradigma de Jim Gray, que indica a necessidade de junção das ciências tradicionais, que usam observação, experimentação e computação, mas que também anseiam por bases filosóficas sólidas para o melhor entendimento do fenômeno dos dados.<br />Mesmo quando as experimentações baseadas no senso comum, como é o caso de Aristóteles, que são refutadas por cientistas modernos e contemporâneos, de certa maneira contribuíram para o agravamento desses pesquisadores encontrarem respostas lógicas e transformar o abstrato em realidade, mostramos isso ao relembrar a física do movimento, que foi inicialmente apontada por Aristóteles, e mais tarde contestada e aprimorada por Galileu, em sequência por Descartes, Newton e finalmente resolvido por Einstein.<br />Pelo menos nenhum cientista da nossa época conseguiu refutar a teoria da relatividade de Einstein, isso mostra que embora contenha erros, a Física de Aristóteles e articulada com sua filosofia motivou estudos anteriores indicando a evolução do conhecimento, na seção quatro [do artigo] nós tratamos também, só que do ponto de vista da Ciência da Informação.<br />Quanto aos nossos objetivos nós pretendemos foi apresentar as similaridades do pensamento aristotélico sobre a ciência de dados, também indicar semelhanças na capacidade humana perceptiva sustentada nos tratados de Aristóteles por ele ter sido pioneiro em descrever a ação humana passiva dos órgãos sensível de receber os dados externos, decodificá-los e transformá-los em um aprendizado do conhecimento. Nosso objetivo maior é trazer desde a comparação uma sustentação filosófica na área de conhecimento Ciência de Dados que vêm emergindo<br />Quanto à metodologia nós apoiamos em duas: uma é revisão bibliográfica, que nós utilizamos estudos críticos pertinentes na filosofia aristotélica e evolução da ciência; também utilizamos a metodologia Análise de Conteúdo e nós organizamos em três categorias principais, que foi ciência, filosofia aristotélica e ciência de dados.<br />Chamamos atenção para a contribuição de fundamentos sólidos da filosofia Aristotélica na evolução da Ciência da Computação. George Boole é muito citado nas pesquisas da Ciência da Computação devido a álgebra, porém o que muitos não sabem, pelo menos quem não é da área da Ciência da Computação é que a álgebra é inspirada no aristotélico. <br />Em sequência nós vamos fazer uma pergunta: Por que a ciência de dados? A resposta para nós é muito óbvia né, o tema ciência dos dados é basal para a Ciência da Informação. O autor Zins afirma que os dados, a informação e o conhecimento, são inter-relacionados, e os dados são um novo fenômeno da contemporaneidade que proporcionam grandes desafios e oportunidades. <br />Os enormes volumes de dados a analisar, tantos os estruturados quanto os não estruturados, onde hoje fala muito do Big Data, Internet das Coisas, e o seu dinamismo e capilaridade é para a Ciência da Informação uma grande oportunidade, principalmente porque muito do que fazemos em tratamento de organização do conhecimento pode ser aplicado também aos dados, assim como nós fazemos com a informação.<br />O pensamento, o conhecimento e os dados: é nessa seção [do artigo] que fazemos a comparação de dados fundamentados nos tratados filosóficos e, por que não dizer científicos de Aristóteles, onde ele chama a atenção para os dados sensíveis que considera a matéria prima das ideias. Mas o que seria se seriam esses dados sensíveis? [dados sensíveis] é como se fossem instruções que nossos órgãos e nossos sentidos recebem, por exemplo quando nós estamos num ambiente quente o sentido do tato é recebe aquela instrução, que são dados que vão diretamente para a nossa mente, então esses dados são uma matéria prima que formou no conhecimento do nosso cérebro<br />Esse seria um primeiro e segundo nível de pensamento tratado por Aristóteles, portanto os sentidos e as sensações são os dados que a mente recebe enquanto que as ideias são os dados que a mente produz.<br />Portanto na próxima subseção nós tratamos o produzir conhecimento e o pensamento por cognição. Este processo é o terceiro nível de conhecimento, chamado por Aristóteles de raciocínio ou de inferência, e é atribuída à nossa capacidade de cognição.<br />Porém, para compreender esse nível de compreensão conforme Aristóteles, é necessário entender de antemão as divisões das coisas em categorias que Aristóteles escreveu em seu livro metafísica, que é a lógica dedutiva e que também está presente nos silogismos que o Marcelo comentou e que está no na seção quatro, que é uma comparação com a Álgebra de Boole, além de outros tratados que também contém doutrinas da psique humanas observadas por Aristóteles. Dessas doutrinas se assemelham a Ciência Cognitiva, que é muito utilizado na Ciência da Informação também na Psicologia, na Filosofia, entre outros campos de conhecimento.<br />No nosso texto está bem mas é explicado, aqui é só uma abordagem para trazer na apresentação, e também a gente quer chamar atenção que nosso estudo é meramente introdutório, a nossa abordagem ela é superficial apenas para trazer à tona essa semelhança da ciência dos dados com a doutrina da filosofia aristotélica. Não introduzimos de maneira ampla para não acarretar em uma gama de habilidades difíceis de demonstrar, porque a filosofia de Aristóteles é muito complexa, então a gente deu uma abordagem superficial mas o aprendizado nosso foi bastante profundo, portanto é uma pesquisa de abordagem seletiva e introdutória. <br />Nos resultados, o que nós chamamos de inter-relação entre o pensamento do senso comum aristotélico, a Ciência dos Dados, e tecnologia sensorial, o sentido e as sensações são os dados que a mente recebe, como o entendimento nosso de resultado do nosso trabalho, e as ideias são os dados que a mente produz. <br />Foram considerados dados matérias primas com instruções captadas pelos órgãos e os sentidos que se conectam à mente chegando ao seu destino, as matérias primas ou instruções são liberadas formandos e de ideias. <br />As tecnologias sensoriais recebem sensores e estes têm os mesmos objetivos dos nossos órgãos de sentidos. Quando pensamos em carros autônomos, por exemplo, e sabemos que essa tecnologia empregada sensores para captar os dados de espaço e de distância, é semelhante à percepção de profundidade humana que a mente processa. <br />No caso das máquinas é um processador, primeiro e segundo nível de pensamento. Já o terceiro nível de pensamento está relacionada à capacidade cognitiva categórico hierárquico, e envolve a organização e a definição da estrutura hierárquica do universal e suas relações com os atributos.<br />Este nível de pensamento se assemelha com a inteligência artificial. Processadores são programados para relacionar classificações, fazer as análises preditivas, análise agrupamento de dados, tal qual encadeamento do sistema do conhecimento de Aristóteles que ocorre no cérebro humano.<br />Em analogia, processadores de inteligência artificial assumem o papel do sistema nervoso central. Os dados, ao chegarem ao seu destino final, são decodificados, e as respostas aos estímulos externos podem ser simples reações, como, por exemplo, o movimento, como também formulações de conhecimento complexas que podem ser aprendidas e armazenadas.<br />Nas considerações finais [do artigo], reafirmamos a necessidade de vincular a Ciência dos Dados à Filosofia, e constatamos com provas basais algumas comparações do processo de captação dos dados do mundo externo ao mundo sensível dos seres humanos.<br />Comparamos os órgãos sensíveis e toda a interpretação dos dados pelos órgãos sentidos na visão aristotélica com a tecnologia sensorial, então a diferença das atividades da mente que é o terceiro nível de pensamento que nós abordamos e que relaciona a cognição, são diferentes das atividades dos sentidos do 1º 2º nível de pensamento, que são os estímulos externos que os nossos órgãos e os sentidos captam, assim também como são os sensores e processadores de máquina.<br /> Por fim nós queremos reafirmar né Marcelo, que a filosofia precisa da ciência tanto quanto a ciência precisa de Filosofia como base de sustentação.<br />Esse é o nosso trabalho, eu quero agradecer a oportunidade que o professor Guilherme nos deu do nosso artigo ter sido escolhido, nós ficamos muito felizes com isso. Espero que quem está com a paciência de assistir a gente e que gostou ou achou interessante que leia, porque é uma abordagem um pouco diferente do que nós estamos acostumado no curso de pós-graduação da Ciência da Informação.